Nesse domingo, o acesso aos jardins do palácio já estava fechado para a imprensa
O Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, começa a receber hoje tapumes em seu entorno para que sejam iniciadas as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura.
Há uma semana, o prédio foi atingido por incêndio de grandes proporções, que destruiu a maior parte de seu acervo de 20 milhões de itens. Nesse domingo, o acesso aos jardins do palácio já estava fechado para a imprensa.
A vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Serejo, confirmou à Agência Brasil que nesta terça-feira começarão a chegar no Rio técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que vão auxiliar nos trabalhos. De acordo com Roberto Leher, o reitor da UFRJ, instituição à qual o Museu é vinculado, a Unesco ofereceu especialistas que já trabalharam em tsunamis e outros desastres para ajudar na remoção dos escombros.
Com a colocação dos tapumes, começarão as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura e permitir mais buscas nos escombros, na tentativa de localizar peças do acervo que tenham escapado do fogo. Uma equipe de especialistas, sob o comando de arqueólogos do museu, realizará esse trabalho, com o apoio de engenheiros, contratados para garantir a segurança nos escombros.
De acordo com Cristiana, o grupo de especialistas é formado também por museólogos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e já está trabalhando no interior do prédio.
Ela explicou que os trabalhos ocorrem em duas frentes: uma estrutural e uma de resgate do acervo. A expectativa é de que, no decorrer desta semana, sejam liberados R$10 milhões do Ministério da Educação para ações emergenciais na segurança do prédio. A UFRJ já está fazendo um termo de referência, com a relação dos serviços mais necessários nessa etapa emergencial.
Segundo Cristiana Serejo, o museu vai aceitar, também, doações de outras instituições. Contatos com essa finalidade já estão sendo feitos pela direção do museu. “O Museu Nacional está tentando se organizar”, afirmou a vice-diretora.
Na manhã desse domingo, um cursinho pré-vestibular da cidade promoveu um aulão nas imediações do museu sobre a história e as memórias da instituição, fundada em 1818. Aos alunos foi pedido que levassem fotos e lembranças do museu. A aula foi aberta para todos que estavam visitando a Quinta da Boa Vista, nesse domingo.