EFEITO COLATERAL?

Uso de canetas emagrecedoras pode afetar a libido, alertam especialistas

Medicamentos utilizados para perda de peso podem provocar alterações hormonais e impactar o desejo sexual, exigindo acompanhamento médico

Publicado em 06/04/2026 às 09:42
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O uso crescente de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Wegovy, acende alerta para possíveis efeitos colaterais além da perda de peso, incluindo impacto na libido. Especialistas recomendam acompanhamento médico durante todo o tratamento.

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem se popularizado no Brasil, especialmente entre pessoas que buscam perda de peso rápida. Medicamentos à base de análogos de GLP-1, indicados inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, também passaram a ser utilizados no controle da obesidade.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), esses fármacos atuam no controle do apetite e da glicose, promovendo saciedade. Estudos apontam que a perda de peso pode variar entre 5% e 15% do peso corporal, dependendo do tempo de uso e do acompanhamento clínico.

Apesar dos benefícios, especialistas observam possíveis efeitos no desejo sexual. A ginecologista Nataly Veríssimo Campos explica que mudanças hormonais e metabólicas podem interferir em diferentes funções do organismo.

“A perda de peso em si costuma trazer benefícios para a saúde sexual, mas, em alguns casos, observamos uma redução do desejo sexual. Isso pode estar relacionado tanto a alterações hormonais quanto à própria adaptação do corpo ao medicamento”, afirma.

Segundo a médica, a redução do apetite também pode impactar a ingestão calórica e os níveis de energia. “As canetas reduzem significativamente o apetite, o que pode levar a uma menor ingestão calórica e, em alguns casos, queda de energia e disposição. Esse cenário pode refletir na libido, especialmente se houver déficit nutricional ou perda de massa muscular”, acrescenta.

Fatores emocionais também devem ser considerados. Mudanças no corpo, adaptação à rotina alimentar e expectativas em relação ao emagrecimento podem influenciar a saúde mental e, consequentemente, o desejo sexual.

“O organismo funciona de forma integrada. Sono, estresse, alimentação e equilíbrio hormonal têm impacto direto na libido”, destaca.

Por outro lado, os efeitos não são iguais para todos os pacientes. Em alguns casos, a perda de peso pode melhorar a autoestima e favorecer a vida sexual. “É uma resposta muito individual. Por isso, o acompanhamento médico é essencial para avaliar benefícios e possíveis efeitos colaterais ao longo do tratamento”, reforça.

A orientação é que o uso desses medicamentos seja feito apenas com prescrição médica. Alterações no desejo sexual ou em outros aspectos da saúde devem ser comunicadas ao profissional responsável, para avaliação e possíveis ajustes no tratamento.

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