COBERTURA VACINAL

Vacinação contra HPV avança no Brasil, mas barreiras culturais ainda dificultam adesão

Vírus é a principal causa do câncer de colo de útero, o que mais mata mulheres de até 36 anos no país e o segundo mais letal até 60 anos

Publicado em 31/12/2025 às 10:18
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A imunização contra o HPV tem registrado crescimento no Brasil nos últimos anos, resultado de ações coordenadas do poder público. Apesar disso, fatores culturais ainda limitam a adesão à vacina. Entre eles, está a associação equivocada entre a vacinação e o início precoce da vida sexual, além da percepção de que o vírus afeta apenas mulheres, o que compromete a conscientização da população.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o HPV está diretamente relacionado ao câncer de colo do útero, principal causa de morte por câncer entre mulheres com até 36 anos no país e a segunda mais letal até os 60 anos. Outras doenças associadas ao vírus também existem, como o câncer de pênis, embora este seja considerado raro.

Em 2024, o Brasil alcançou índices de cobertura vacinal acima da média mundial, com mais de 82% das meninas e 67% dos meninos, entre 9 e 14 anos, imunizados. O avanço é atribuído, principalmente, à ampliação da vacinação em ambiente escolar e a campanhas educativas voltadas ao esclarecimento de dúvidas sobre segurança e eficácia da vacina.

Tradicionalmente oferecida pelo Programa Nacional de Imunizações a adolescentes de 9 a 14 anos, a vacina quadrivalente teve, de forma temporária, sua faixa etária estendida até os 19 anos. A medida buscou alcançar jovens que não haviam sido vacinados no período recomendado, ampliando a proteção contra doenças associadas ao HPV.

Entidades médicas também recomendam a imunização de adultos não vacinados. A orientação é que a vacina possa ser aplicada até os 45 anos, embora a resposta imunológica seja mais eficaz quando o esquema é iniciado ainda na adolescência.

Especialistas ressaltam que o questionamento de alguns responsáveis sobre a idade indicada para a vacinação se baseia em mitos. A recomendação precoce ocorre justamente porque o organismo apresenta melhor capacidade de resposta imunológica nessa fase da vida, o que aumenta a eficácia da proteção.

Atualmente, a rede pública disponibiliza a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos do vírus. Na rede privada, há a opção da vacina nonavalente, que amplia a cobertura para nove sorotipos. Embora existam mais de 200 tipos de HPV, apenas alguns estão diretamente associados ao desenvolvimento de cânceres e outras complicações graves.

Estudos indicam que os tipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero. Quando considerados em conjunto com outros sorotipos de alto risco, esse percentual pode chegar a 90% dos diagnósticos da doença.

As recomendações atuais indicam esquemas vacinais distintos conforme a idade e o tipo de vacina. Para crianças e adolescentes, o número de doses é menor, enquanto adultos podem necessitar de aplicações adicionais. Grupos específicos, como pessoas vivendo com HIV, vítimas de violência sexual e pacientes com condições clínicas associadas ao HPV, seguem protocolos diferenciados.

Além da prevenção contra o câncer, a vacinação também reduz significativamente o risco de verrugas genitais e outras manifestações clínicas causadas pelo vírus, reforçando sua importância como estratégia de saúde pública.

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