Especialista em finanças recomenda guardar pelo menos 5% do salário mensal
O ano começou e janeiro é mês de gastos extras com impostos e escola dos filhos, porém também é o momento propício de planejamento financeiro. Segundo especialistas, quem consegue controlar o orçamento tem mais chances de realizar sonhos neste 2020.
Início do ano
Para a compra do material escolar, o educador financeiro Sandro Borges orienta os pais a pesquisarem os preços em diferentes lojas antes de fechar negócio. “O ideal é ir a três papelarias, no mínimo, para fazer orçamento, e também pesquisar na internet. As pessoas não devem comprar na primeira loja em que entrarem, porque, provavelmente, vão encontrar outra com preço melhor e qualidade. E tem que pechinchar, não é vergonhoso pedir desconto”, afirma.
Segundo ele, quem tiver condições deve pagar o IPVA e o IPTU à vista para garantir o desconto. Os consumidores que pretendem parcelar os tributos devem dividi-los em prestações que caibam no orçamento.
Mais cara. A mensalidade de escolas dos ensinos fundamental e médio aumentou até 9% neste ano, em comparação com 2019, segundo pesquisa do site Mercado Mineiro.
IPVA. Quem pagar o imposto à vista, em janeiro, terá 3% de desconto. Quem vai parcelar tem janeiro, fevereiro e março para quitar o imposto, que caiu 2,96% em relação a 2019. O pagamento em Minas Gerais começa no dia 13.
RESTANTE DO ANO
O especialista recomenda fazer um planejamento mensal até dezembro, considerando qual será o rendimento líquido de cada mês e as despesas previstas, e monitorar tudo ao longo do ano.
Dessa forma, é possível, por exemplo, planejar uma viagem de férias. Para a educadora financeira Renatta Gomes, é importante adotar um estilo de vida coerente com a renda. “Para evitar ficar endividado e passar por apuros, planejar as finanças e adequar o padrão de vida à realidade financeira é primordial”, diz, destacando que é importante sempre buscar alternativas para reduzir as despesas.
Renatta aconselha, ainda, a poupar pelo menos 5% do rendimento mensal para criar uma reserva de emergência. “Esse valor serve para estar preparado não apenas para coisas grandes, mas também pequenas eventualidades que podem surgir no decorrer do ano”, afirma. Para se ter ideia, 5% do salário mínimo (R$ 1.039) equivale a R$ 51,95.
TETO DE GASTOS É ALTERNATIVA PARA CONTROLAR AS CONTAS
O teto de gastos, estabelecido pelo então presidente Michel Temer (MDB) como um mecanismo de controle das despesas públicas, deve ser aplicado também pelas famílias para evitar o endividamento em 2020. A dica é do coordenador do MBA de gestão de financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira. Segundo ele, o primeiro passo deve ser dividir as despesas em três grupos diferentes: aquelas das quais não dá para abrir mão; as que a família pode, mas não quer cortar; e, por fim, as supérfluas, que podem ser descartadas facilmente. “A partir disso, a família vai adequando seu orçamento”, diz.
De acordo com Teixeira, para criar o teto de gastos, o ideal seria poupar 20% da renda líquida mensal total. “Em vez de colocar todas as despesas dentro do ganho da família, é importante estabelecer a meta de poupar e fazer todas os gastos caberem dentro dos 80% restantes”, explica. Ele ressalta que o percentual a ser guardado varia conforme as condições de cada núcleo familiar e deve ser definido de forma que as pessoas não precisem fazer muitos sacrifícios. “Ao fixar um teto, a família consegue, ao longo do tempo, poupar cada vez mais. Além disso, passa a procurar alternativas para gastar melhor o dinheiro”, afirma.
O especialista alerta que, quando os gastos ultrapassam o teto estabelecido, deve haver cautela para se evitar dívidas.
Teto de gastos. Desde 2017, a lei estabelece que o gasto máximo do governo deve ser calculado com base no Orçamento do ano anterior, corrigido pela inflação.
*Com informações O Tempo