Sem receber horas extras ou adicional de periculosidade, tripulantes da missão lunar ganham como servidores públicos do governo americano

Profissionais recebem como servidores públicos e não ganham bônus de periculosidade (Foto/AFP or licensors)
A tripulação da missão Artemis II, da Nasa, desperta a curiosidade do público não apenas pelos feitos históricos, mas também pelos salários que recebe. Diferente do imaginário popular, os astronautas são servidores públicos federais com remuneração engessada pelo governo dos Estados Unidos. Apesar dos riscos da viagem lunar, a tripulação formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen não tem direito a horas extras nem adicional de periculosidade.
A remuneração da categoria segue a rígida tabela do sistema federal americano, conhecida como General Schedule (GS). Os profissionais mais experientes, classificados entre os níveis GS-13 e GS-15, possuem vencimentos que variam anualmente de US$ 104 mil a US$ 161 mil. Em conversão direta e sem descontos tributários, os valores representam cifras entre R$ 530 mil e R$ 820,5 mil por ano.
Dados oficiais da própria agência espacial apontam que a média salarial da classe no ano de 2024 girava em torno de US$ 152.258 (cerca de R$ 776 mil anuais).
Ausência de bônus e o regime de horas
Apesar dos altíssimos riscos físicos enfrentados ao viajar a velocidades superiores a 40 mil km/h, o contrato de trabalho é estritamente administrativo. Em entrevista recente, o ex-astronauta Mike Massimino, veterano de duas missões no espaço, detalhou a surpreendente dinâmica financeira da agência. "Não existe pagamento por risco, não há horas extras, não há compensações", garantiu.
Segundo o especialista, a folha de pagamento governamental não faz distinção entre o servidor no escritório e o tripulante na nave. "Não há qualquer incentivo financeiro para permanecer mais tempo no espaço. O trabalho é pago rigorosamente como uma jornada padrão de 40 horas semanais", complementou Massimino.
Logística, despesas e os desafios em órbita
Embora o contracheque não sofra alterações substanciais devido ao ambiente extremo, os cofres públicos cobrem todas as necessidades operacionais. A Nasa financia integralmente a pesada rotina de treinamentos, o transporte aeroespacial, a alimentação liofilizada e a estadia na nave. Em situações específicas de viagens em solo terrestre, pequenas diárias são repassadas aos profissionais.
Essas ajudas de custo pontuais, no entanto, não causam nenhum impacto significativo na remuneração total anual da tripulação. O foco exclusivo dos pesquisadores recai puramente na execução da exploração científica e na superação ágil de imprevistos em gravidade zero. Durante a atual jornada, por exemplo, o banheiro da espaçonave apresentou falhas graves, obrigando os tripulantes a acionarem medidas emergenciais de contingência.