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Volta às aulas pode piorar casos de Covid, alerta Fiocruz

Publicado em 13/08/2020 às 15:43Atualizado em 18/12/2022 às 08:43
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Volta às aulas presenciais podem colocar a saúde das pessoas em risco. É o que indica um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo os estudos, se 10% dos eventuais contaminados necessitarem de cuidados intensivos, só em Minas Gerais isso poderia representar um acréscimo de 102 mil doentes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) e quase 4 mil mortes, certamente um componente de estrangulamento da assistência em saúde. No Brasil, o potencial de estragos é de 35 mil óbitos e 927 mil pessoas em UTIs.

O levantamento considera o número de idosos e adultos com doenças cardíacas, pulmonares e diabetes, morando com crianças e adolescentes em idade escolar, entre os 3 e os 17 anos, que poderiam trazer a COVID-19 para suas casas. De acordo com o estudo, no Brasil, essa população é de 9,2 milhões de pessoas. Em Minas Gerais, o número é pouco maior do que 1 milhão, sendo superado apenas por São Paulo, que tem 2 milhões de pessoas com essas comorbidades convivendo com estudantes.

O aumento de 4 mil mortes seria superior a todas os óbitos já registrados em Minas Gerais em decorrência da doença, que ontem chegaram a 3.783, de acordo com boletim da Secretaria de Estado de Saúde. Por sua vez, o ingresso de 102 mil doentes necessitando de UTIs poderia representar o colapso do sistema hospitalar, mesmo que aos poucos, uma vez que hoje se dispõe de apenas 3.869 leitos, com ocupação de menos de 70%. Desses, em média, menos de 30% têm sido ocupados por casos confirmados ou suspeitos da COVID-19.

O impacto para o Brasil também seria significativo. Ainda que o país conte com 66,7 mil leitos de UTI à sua disposição, a ocupação é alta, acima dos 70%. E sofreria uma forte pressão com a convergência de mais 927 mil doentes graves, ainda que não ao mesmo tempo, necessitando de respiradores e medicamentos, que já se fazem escassos.

De acordo com nota técnica da Fiocruz, esse impacto seria ainda maior, pois o levantamento considera apenas os estudantes retornando para suas casas e não o significativo grupo de profissionais envolvidos nas escolas, como professores e educadores, e dos serviços que as orbitam, do transporte à alimentação.

A Fiocruz considera necessário que a retomada das aulas presenciais siga uma metodologia baseada principalmente no número de casos, óbitos e características da população dos municípios e seu entorno, considerando a rede de influência das cidades. “Retomar as aulas (presenciais) sem considerar a complexidade dessa medida é movimento arriscado, pois, para essas pessoas que vivem com crianças em idade escolar não será mais possível adotar o 'fique em casa'”, destaca.

O estudo também ressalta que os surtos nas escolas seriam de difícil controle, sobretudo em alunos menores, que necessitam de uma ação mais rígida dos educadores, bem como a sua exposição.

Alunos começam a voltar às aulas em algumas partes do país, como o Amazonas. São Paulo planeja retorno para outubro e a capital do Rio de Janeiro briga na Justiça para voltar de imediato.

O governo de Minas Gerais informou, que Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG), que está avaliando os meios mais seguros para a retomada das atividades presenciais nas instituições de ensino, considerando critérios técnicos e científicos. 

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