SAÚDE

Wegovy pode chegar ao SUS em projeto piloto para tratar obesidade grave no Brasil

Publicado em 06/03/2026 às 09:16
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Wegovy é um medicamento produzido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk (Foto/Novo Nordisk/Divulgação)

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk anunciou na quarta-feira (4) um programa piloto que pretende ampliar o acesso ao medicamento Wegovy (semaglutida injetável) em três centros da rede pública de saúde no Brasil. A iniciativa faz parte de um projeto global em parceria com o governo da Dinamarca e prevê a oferta do remédio associada a um protocolo multidisciplinar de acompanhamento por pelo menos dois anos.

No país, a proposta envolve instituições de diferentes níveis da administração pública: o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (Iede), na Rio de Janeiro. Um terceiro centro municipal ainda será definido.

Apesar do anúncio, a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro informou que não existe parceria formal entre o Iede e a farmacêutica. Segundo a instituição, a unidade já utilizou liraglutida no atendimento ambulatorial de cerca de 200 pacientes com obesidade extrema e conduz atualmente uma licitação para adquirir a semaglutida.

De acordo com o Iede, o protocolo da unidade prioriza pacientes com obesidade grave, com índice de massa corporal acima de 50 kg/m², e a indicação do tratamento depende da avaliação médica individual.

O programa foi apresentado ao Ministério da Saúde, que acompanhará os resultados, mas não integra oficialmente a parceria. Apenas pacientes já atendidos pelas instituições participantes poderão ser incluídos, e cada centro definirá os critérios de seleção.

Além de fornecer o medicamento, a Novo Nordisk prevê treinamento de profissionais de saúde, apoio à gestão do cuidado e financiamento do monitoramento independente dos resultados. O objetivo é reunir evidências clínicas, econômicas e sociais sobre o tratamento da obesidade grave no Sistema Único de Saúde (SUS) para subsidiar decisões futuras sobre a incorporação de novas tecnologias.

Atualmente, nenhum medicamento para controle de peso está disponível no SUS. Em agosto de 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) rejeitou a inclusão da semaglutida e da liraglutida, citando impacto financeiro estimado em cerca de R$ 8 bilhões por ano.

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 indicam que um em cada três brasileiros é obeso e que 68% da população apresenta sobrepeso. Levantamento de 2026 voltado para crianças e adolescentes aponta que cerca de 38% dos brasileiros entre 5 e 19 anos vivem com sobrepeso ou obesidade.

Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a iniciativa representa um avanço na discussão sobre o tratamento da obesidade como doença crônica. A entidade destaca que, apesar do avanço das terapias disponíveis, nenhum medicamento desse tipo ainda é oferecido pelo SUS.

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