O Governo de Minas oficializou, nesta quarta-feira (27/5), a nomeação de 54 novos delegados da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Os profissionais foram aprovados no concurso público de Edital nº 01/2024, promovido pela Academia de Polícia Civil de Minas Gerais (Acadepol), e passam a reforçar a estrutura da segurança investigativa em diferentes regiões do estado. A medida foi publicada no Diário Oficial.
Os nomeados seguem para as etapas administrativas de posse. Na sequência, os novos delegados passarão pelo curso de formação técnico-profissional na Acadepol, com foco na prática da atividade policial e no alinhamento às diretrizes da instituição. A relação completa dos 54 delegados nomeados pode ser consultada aqui.
Atlas da Violência alertou sobre a segurança em MG
O déficit de efetivo da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e o sucateamento da instituição podem estar entre os fatores que ajudam a explicar o avanço dos chamados homicídios ocultos no estado, segundo representantes de sindicatos da categoria. Após o Atlas da Violência revelar que Minas manteve fora das estatísticas oficiais 1.218 mortes violentas em 2024, lideranças da entidade que representa os policiais civis afirmam que a falta de investigadores, a sobrecarga de trabalho e problemas estruturais comprometem a elucidação dos crimes.
Divulgado na última terça-feira (26), o Atlas da Violência mostrou que Minas Gerais registrou oficialmente queda de 2,3% nos homicídios entre 2023 e 2024. Entretanto, quando são incluídas as mortes violentas classificadas como “causa indeterminada”, o Estado passa a apresentar aumento de 25,2% nos assassinatos no período, totalizando 3.949 mortes violentas. Em dez anos, Minas acumulou 5.448 homicídios ocultos.
Conforme o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol), a Lei Complementar nº 129/2013, que trata da instituição, aponta que Minas deveria contar com 11.301 investigadores, mas conta atualmente com 5.859 — um déficit de 48,2%. Ou seja, a Polícia Civil opera com praticamente metade do efetivo ideal para conduzir investigações em um Estado com 853 municípios.
O que diz o governo de Minas?
Sobre os homicídios ocultos apontados pelo Atlas da Violência, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que “a metodologia utilizada para elaboração do Atlas da Violência considera dados fornecidos pela Secretaria de Estado de Saúde sobre Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) e não definidas estritamente como homicídios”.
“Em ocorrências com possíveis indícios de violência, o procedimento prevê que as unidades hospitalares e os profissionais de saúde acionem as forças de segurança quando identificados sinais compatíveis com algum tipo de agressão. Cabe ao médico responsável avaliar a natureza da lesão e registrar, conforme as informações disponíveis no momento, a possível causa do ferimento. Em determinadas situações, contudo, não há elementos suficientes para definição imediata da dinâmica do fato, motivo pelo qual o caso pode ser inicialmente registrado como ‘causa indeterminada’”, diz a pasta.
Segundo a Sejusp, essa circunstância pode influenciar os resultados observados pelo estudo. A pasta também afirmou que as forças de segurança de Minas Gerais acompanham diariamente os índices de criminalidade nos 853 municípios mineiros, com foco na adoção de estratégias integradas voltadas à prevenção e repressão qualificada da criminalidade, bem como à redução de mortes violentas e de sinistros de trânsito em todo o Estado.
Fonte: O Tempo