O boletim informativo da Vigilância Socioassistencial de Uberaba, divulgado nesta quarta-feira (27), aponta aumento nas notificações de violência e exploração sexual contra crianças e adolescentes em 2025, após a queda registrada no ano anterior. Segundo os dados do Sistema de Informação para Infância e Adolescência (SIPIA), o município contabilizou 315 notificações no ano passado, contra 306 em 2024 — alta de 2,9%. Apesar do crescimento considerado discreto, o número representa média de 26,3 casos por mês – quase um por dia.
A publicação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social reúne dados de 2023 a 2025 e destaca que o principal tipo de violência sexual registrado ano passado foi o estupro de vulnerável, com 128 notificações, representando 40,6% do total. Em seguida aparecem os casos de abuso sexual cometido por membros da família, com 58 registros. No comparativo histórico, o boletim mostra que houve redução de 17,7% entre 2023 e 2024, quando os casos passaram de 372 para 306, mas a tendência voltou a subir em 2025.
Os dados indicam ainda que adolescentes entre 10 e 13 anos continuam sendo as principais vítimas, com 124 notificações em 2025. A faixa de 14 a 17 anos aparece logo em seguida, com 80 registros. Em relação ao sexo, meninas representam a maioria dos casos notificados: foram 243 vítimas do sexo feminino no ano passado, contra 72 do sexo masculino. O boletim ressalta, porém, que estudos apontam forte subnotificação envolvendo meninos vítimas de violência sexual.
Outro ponto destacado é a concentração territorial das notificações. Em 2025, os territórios dos CRAS Abadia e Vila Paulista apresentaram os maiores números de registros, com 53 e 42 notificações, respectivamente. Entre os bairros, Vila São Vicente liderou as ocorrências, com 24 casos, seguido por Residencial 2.000, com 16, e Rio de Janeiro, com 15 notificações. O levantamento observa que bairros como Residencial 2.000 e Rio de Janeiro já vinham aparecendo entre os principais focos nos anos anteriores.
O boletim também traz dados do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), realizado pelo CREAS. Em 2025, o serviço atendeu 321 crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, número inferior ao registrado em 2024, quando houve 387 atendimentos. A faixa etária de 13 a 17 anos concentrou a maior parte dos acompanhamentos, e o sexo feminino representou a maioria dos atendidos.
Produzido pelo Departamento de Vigilância Socioassistencial, o boletim tem como objetivo subsidiar o planejamento de políticas públicas e fortalecer estratégias de prevenção, proteção e garantia de direitos de crianças e adolescentes em Uberaba.
Panorama
Além dos dados sobre violência sexual, o boletim da Vigilância Socioassistencial também apresenta um panorama das crianças e adolescentes inscritos no Cadastro Único em Uberaba. Segundo o levantamento, o município possui 35.141 crianças e adolescentes cadastrados em programas sociais, sendo que a maioria é composta por pessoas negras, que representam 56% do total. O documento ainda chama atenção para a escolaridade: 8.400 crianças e adolescentes entre 7 e 15 anos não possuem nenhum nível de instrução formal registrado no CadÚnico. O boletim completo pode ser acessado pelo Portal Uberaba.