NOVOS DELEGADOS

Após Atlas da Violência, Polícia Civil de Minas Gerais ganha reforço de 54 novos delegados

Sindicato denunciou como déficit na PCMG impactou negativamente os números da violência no estado

André Willis/O Tempo
Publicado em 28/05/2026 às 08:28
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 O Governo de Minas oficializou, nesta quarta-feira (27/5), a nomeação de 54 novos delegados da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Os profissionais foram aprovados no concurso público de Edital nº 01/2024, promovido pela Academia de Polícia Civil de Minas Gerais (Acadepol), e passam a reforçar a estrutura da segurança investigativa em diferentes regiões do estado. A medida foi publicada no Diário Oficial.

Os nomeados seguem para as etapas administrativas de posse. Na sequência, os novos delegados passarão pelo curso de formação técnico-profissional na Acadepol, com foco na prática da atividade policial e no alinhamento às diretrizes da instituição. A relação completa dos 54 delegados nomeados pode ser consultada aqui.

Atlas da Violência alertou sobre a segurança em MG

O déficit de efetivo da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e o sucateamento da instituição podem estar entre os fatores que ajudam a explicar o avanço dos chamados homicídios ocultos no estado, segundo representantes de sindicatos da categoria. Após o Atlas da Violência revelar que Minas manteve fora das estatísticas oficiais 1.218 mortes violentas em 2024, lideranças da entidade que representa os policiais civis afirmam que a falta de investigadores, a sobrecarga de trabalho e problemas estruturais comprometem a elucidação dos crimes.

Divulgado na última terça-feira (26), o Atlas da Violência mostrou que Minas Gerais registrou oficialmente queda de 2,3% nos homicídios entre 2023 e 2024. Entretanto, quando são incluídas as mortes violentas classificadas como “causa indeterminada”, o Estado passa a apresentar aumento de 25,2% nos assassinatos no período, totalizando 3.949 mortes violentas. Em dez anos, Minas acumulou 5.448 homicídios ocultos.

Conforme o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol), a Lei Complementar nº 129/2013, que trata da instituição, aponta que Minas deveria contar com 11.301 investigadores, mas conta atualmente com 5.859 — um déficit de 48,2%. Ou seja, a Polícia Civil opera com praticamente metade do efetivo ideal para conduzir investigações em um Estado com 853 municípios.

O que diz o governo de Minas?

Sobre os homicídios ocultos apontados pelo Atlas da Violência, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que “a metodologia utilizada para elaboração do Atlas da Violência considera dados fornecidos pela Secretaria de Estado de Saúde sobre Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) e não definidas estritamente como homicídios”.

“Em ocorrências com possíveis indícios de violência, o procedimento prevê que as unidades hospitalares e os profissionais de saúde acionem as forças de segurança quando identificados sinais compatíveis com algum tipo de agressão. Cabe ao médico responsável avaliar a natureza da lesão e registrar, conforme as informações disponíveis no momento, a possível causa do ferimento. Em determinadas situações, contudo, não há elementos suficientes para definição imediata da dinâmica do fato, motivo pelo qual o caso pode ser inicialmente registrado como ‘causa indeterminada’”, diz a pasta.

Segundo a Sejusp, essa circunstância pode influenciar os resultados observados pelo estudo. A pasta também afirmou que as forças de segurança de Minas Gerais acompanham diariamente os índices de criminalidade nos 853 municípios mineiros, com foco na adoção de estratégias integradas voltadas à prevenção e repressão qualificada da criminalidade, bem como à redução de mortes violentas e de sinistros de trânsito em todo o Estado.

Fonte: O Tempo

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