NÃO TINHA INTENÇÃO

Defesa admite conduta inadequada, mas nega importunação sexual de professor em Uberaba

Advogado afirma que atitude relatada não teve intenção sexual e prepara investigação defensiva

Débora Meira
Publicado em 18/06/2026 às 10:46
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A defesa do professor de educação física investigado por suposta importunação sexual contra duas alunas da Escola Municipal Boa Vista se manifestou publicamente pela primeira vez após a prisão em flagrante ocorrida nesta semana. Em entrevista à Rádio JM , o advogado Cláudio Fortunato afirmou que o cliente é vítima de um “linchamento virtual”, negou a prática de crime sexual e disse acreditar que o professor será absolvido. 

A entrevista ocorreu depois da audiência de custódia, que concedeu liberdade provisória ao servidor municipal, mediante uso de tornozeleira eletrônica e cumprimento de medidas cautelares. O professor permanece afastado das atividades escolares e está proibido de se aproximar das adolescentes, das testemunhas e da unidade de ensino.  

O advogado afirmou que a repercussão do caso teria gerado julgamentos precipitados antes mesmo da conclusão das investigações. “Ele sofreu um linchamento virtual. Ninguém ouviu a versão dele. Colocaram muito fermento nessa história para sensacionalizar a situação”, declara. 

Fortunato sustentou que o professor não praticou o crime pelo qual é investigado e argumentou que, embora a conduta relatada possa ser considerada inadequada, não haveria elementos para caracterizar importunação sexual. “Pode-se até dizer que foi uma conduta inapropriada. Mas de uma conduta inadequada para uma importunação sexual existe um passo muito grande”, afirma. 

Na entrevista, Fortunato reforçou que, na avaliação da defesa, não houve intenção de natureza sexual na atitude. “Crime sexual não admite modalidade culposa. Tem que existir intenção. Em momento algum ele teve intenção de ordem sexual”, disse. 

Outro ponto abordado pelo advogado foi o surgimento de relatos sobre supostos episódios anteriores envolvendo o professor. Segundo ele, as alegações ainda precisam ser apuradas. “O que acho interessante é que surge um fato desse e depois começam a aparecer pessoas dizendo que aconteceram outras situações no passado. Se aconteceu, por que não foi denunciado na época?”, questiona. 

Fortunato também afirmou que o cliente está profundamente abalado emocionalmente após a repercussão do caso. De acordo com ele, o professor estaria cogitando abandonar a carreira docente. “Ele está acabado. Falou para mim que pretende abandonar o magistério. É uma profissão que ele escolheu porque gosta, mas está muito desiludido”, relata. 

A defesa informou ainda que pretende realizar uma investigação defensiva para reunir elementos que possam sustentar a versão apresentada pelo professor. Segundo o advogado, colegas de trabalho e servidores da escola teriam manifestado surpresa com as acusações. 

O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Conforme divulgado pelo Jornal da Manhã, as denúncias envolvem duas adolescentes e tiveram origem em fatos ocorridos durante uma aula de educação física. A Secretaria Municipal de Educação já informou que o servidor foi afastado das funções e que as famílias envolvidas estão recebendo acompanhamento psicossocial. 

A definição sobre qual vara judicial ficará responsável pelo processo ainda depende de análise do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, após divergência de competência entre magistrados de Uberaba. Enquanto isso, o professor responderá à investigação em liberdade provisória.

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