O número de mulheres que buscaram a rede de proteção contra a violência doméstica em Uberaba aumentou nos primeiros meses de 2026. Dados da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher mostram que os casos analisados pela Justiça cresceram 22,74% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado. Para a rede de atendimento, o avanço reflete principalmente a redução da chamada demanda reprimida — quando vítimas deixam de procurar ajuda por medo, desinformação ou falta de acesso aos serviços.
Para o juiz da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Fabiano Veronez, o crescimento dos registros não deve ser interpretado apenas como aumento da violência. Segundo ele, a instalação da vara especializada, o fortalecimento da rede de proteção e as campanhas de conscientização fizeram com que mais mulheres passassem a denunciar as agressões. "O que houve de diferencial nesse período foi a instalação da Vara, um aumento ainda maior desse processo de divulgação, o interesse ainda maior e o movimento de quebra de tabus”, explica.
Apesar do crescimento dos atendimentos, Veronez afirma que o principal desafio continua sendo alcançar as mulheres que ainda permanecem fora da rede de proteção. "O que nós não queremos é demanda reprimida. O que nós não queremos é que mulheres que estão sofrendo violência não cheguem até nós”, ressalta.
Segundo o magistrado, cidades com menor número de medidas protetivas nem sempre registram menos violência. "Cidades maiores têm números menores. A diferença é que, em Uberaba, a nossa demanda não está reprimida”, pontua.
Os números mostram essa evolução. Em 2017, a Vara registrou 447 medidas protetivas. Em 2025, esse total chegou a 1.302.