DENTRO DE CASA

Violência psicológica supera agressões físicas contra mulheres em Uberaba

Boletim aponta 356 casos dentro da residência e 277 registros de violência psicológica ou moral; apenas 432 das 3.262 vítimas chegaram aos serviços de saúde em 2025

Débora Meira
Publicado em 09/08/2026 às 09:02
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A maioria das agressões contra mulheres notificadas aos serviços de saúde de Uberaba em 2025 ocorreu dentro da própria residência, e os registros de violência psicológica ou moral superaram os de violência física. É o que mostra o Boletim Epidemiológico da Violência contra a Mulher 2025, divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde durante a campanha Agosto Lilás. 

Das 432 notificações analisadas pelo município, 356 agressões ocorreram dentro da residência e 353 foram praticadas por parceiros ou ex-parceiros. A violência psicológica ou moral apareceu em 277 notificações, enquanto a violência física foi registrada em 235 casos. 

Os números representam apenas uma parcela das ocorrências identificadas no município. Ao todo, Uberaba registrou 3.262 mulheres vítimas de violência em 2025, mas somente 432 chegaram aos serviços de saúde, o equivalente a cerca de 13% dos casos. O Centro Integrado da Mulher (CIM) concentrou 349 desses atendimentos. 

Os dados também mostram que uma mesma vítima frequentemente sofre mais de um tipo de agressão. Em aproximadamente um terço das notificações, houve registro de violências combinadas. 

A coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Fernanda Mendes, afirma que períodos de conscientização, como o Agosto Lilás, costumam aumentar a procura pelos serviços. "Muitas mulheres não se reconhecem enquanto vítimas porque ainda não houve agressão física. Quando começam a ouvir falar sobre violência psicológica, violência vicária e outros tipos de violência, elas entendem que podem estar vivendo aquela situação e procuram ajuda”, explica. 

Outro dado destacado pela rede de proteção é que, até o momento, Uberaba não registrou feminicídios entre mulheres que já estavam sendo acompanhadas pelos serviços especializados. 

Segundo o juiz da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Fabiano Veronez, isso demonstra a importância de procurar atendimento antes que a violência evolua. "Nós não temos nenhum caso de feminicídio registrado por quem buscou ajuda”, ressalta. 

Para ele, as vítimas que permanecem fora da rede ficam mais vulneráveis. "Aquelas vítimas que não buscam ajuda acabam ficando mais vulneráveis e podem virar estatística de feminicídio. Já aquelas que procuram atendimento passam a contar com mecanismos de proteção”, explica. 

O Boletim Epidemiológico também mostra que Uberaba registrou dois feminicídios consumados e três tentativas em 2025. Já em 2026, até junho, havia dois feminicídios consumados e três tentativas registrados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Nacionalmente, o Brasil contabilizou 1.571 feminicídios e 4.189 tentativas em 2025, os maiores números da série histórica. 

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