Um homem trans relatou ter sido constrangido ao chegar ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), em Uberaba, para realizar um exame de ultrassom transvaginal agendado para 11 de setembro. Segundo o boletim de ocorrência apresentado no programa Hélio Jr., da Rádio JM, um funcionário terceirizado da portaria teria questionado se o procedimento era realmente destinado a ele e inicialmente impedido sua entrada no setor. O HC-UFTM informou que o paciente recebeu assistência do Serviço Social, realizou o exame conforme o agendamento e que o caso foi notificado à empresa responsável pelo serviço de portaria para averiguação.
De acordo com o registro, o paciente chegou ao hospital com antecedência para o exame, dirigiu-se ao atendimento e recebeu a documentação necessária. Ao apresentar a guia na portaria da radiologia, porém, o funcionário teria afirmado que o exame “não era para ele”.
O paciente explicou que o procedimento estava agendado em seu nome e que o nome social poderia não constar na listagem consultada pelo funcionário. Mesmo assim, segundo o relato, o acesso ao setor teria sido inicialmente negado.
Ainda conforme o relato, outro funcionário que acompanhava a situação percebeu que o paciente também portava um crachá de estudante e interveio para autorizar a entrada.
Segundo o paciente, a liberação ocorreu na condição de estudante, e não como pessoa que chegava ao hospital para realizar um exame. Ele afirma que também não recebeu orientação sobre onde deveria entregar a documentação ou passar pela triagem.
Como já conhecia a estrutura do hospital, o paciente conseguiu se dirigir até as proximidades da sala de radiologia. Segundo o relato, porém, a situação provocou atraso no atendimento, apesar de ele ter chegado cerca de uma hora antes do horário marcado, às 13h30.
O paciente procurou posteriormente o Serviço Social do HC-UFTM, onde relatou o ocorrido. O setor acionou a chefia dos funcionários terceirizados e identificou o profissional que estava na portaria da radiologia.
Segundo o HC-UFTM, o episódio foi comunicado à empresa responsável pelo contrato de prestação de serviços de portaria para averiguação e adoção das medidas cabíveis. “O HC-UFTM lamenta o ocorrido e reafirma seu compromisso com o atendimento humanizado, ético e livre de qualquer forma de discriminação, buscando continuamente qualificar suas práticas assistenciais, especialmente no cuidado à população LGBTQIA+", informa.
O hospital não detalhou quais medidas poderão ser adotadas pela empresa responsável pelo serviço de portaria.