FILA ETERNA

Famílias dizem ter alugado banheiro químico para fila de visita na penitenciária de Uberaba

Novas denúncias também citam demora na entrada, alimentação servida tarde e medo de relatar supostos abusos

Débora Meira
Publicado em 20/08/2026 às 15:37
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 (Foto/Reprodução)

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Familiares de detentos da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, em Uberaba, voltaram a procurar o Jornal da Manhã para relatar dificuldades relacionadas às visitas na unidade. As novas denúncias ocorrem após o JM relatar, em reportagem publicada nesta quinta-feira (20), que familiares enfrentavam filas durante a madrugada, calor, fome e falta de estrutura para aguardar a distribuição das senhas. Após a publicação, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) se pronunciou e afirmou que a distribuição de senhas foi adotada para organizar o atendimento e garantir o cumprimento da legislação sobre prioridade, além de informar que os visitantes podem utilizar um salão com água, banheiro, geladeira e cadeiras durante a espera. 

Segundo uma das novas denúncias encaminhadas à reportagem, os problemas não estariam restritos à espera pelas senhas. Familiares também questionam mudanças nas regras para entrada de visitantes que mantêm relacionamento de amizade ou namoro com os detentos. 

De acordo com o relato, a exigência de documentação para comprovar o vínculo estaria dificultando a entrada de algumas pessoas que anteriormente conseguiam realizar visitas. A familiar afirma que os custos para formalizar determinados documentos, como certidão de casamento, seriam elevados para pessoas que já enfrentam dificuldades financeiras. 

A denunciante também questiona a demora para que os familiares consigam efetivamente entrar na unidade. Segundo ela, há pessoas que chegam a permanecer na fila desde a noite anterior e só conseguem acessar a penitenciária próximo ao fim do horário de visitas. “Vai de sexta para sábado, por volta das 19h, já tem gente esperando na fila, e de sábado para domingo”, relata. 

A situação levou, segundo a denúncia, os próprios familiares a buscar uma alternativa para as necessidades básicas de quem permanece na fila. 

De acordo com o relato, um banheiro químico chegou a ser alugado para atender as pessoas que aguardam do lado de fora da unidade. “Alugamos um banheiro químico para que as famílias tivessem como usar e não fossem tão humilhadas”, afirma a familiar. 

O relato reforça uma das principais reclamações apresentadas na primeira reportagem do JM: a falta de estrutura para quem permanece durante horas na área externa da penitenciária. Na manifestação encaminhada à reportagem, a familiar também afirma que há pessoas que entram para a visita apenas minutos antes do encerramento do horário.

Segundo ela, alguns visitantes chegam a deixar a unidade por volta das 15h, enquanto outros teriam conseguido entrar apenas pouco antes do fim das visitas. 

A denunciante também relata problemas relacionados à alimentação fornecida aos detentos. Segundo ela, refeições entregues à unidade no período da manhã nem sempre chegariam aos presos no mesmo horário. “Comida servida pelo Estado chega aos detentos após as 15h, até mais tarde na maioria das vezes, totalmente azeda. A empresa entrega por volta das 10h, 11h, mas entra somente após as 14h, 15h”, afirma. 

A familiar também relata supostas dificuldades relacionadas ao acesso à água, higiene e condições de permanência dos detentos na unidade. Segundo ela, alguns presos estariam enfrentando problemas de saúde e falta de condições adequadas de higiene. 

A nova denúncia também apresenta acusações mais graves sobre o tratamento dos detentos. A familiar afirma que presos seriam submetidos a castigos que classifica como tortura e que haveria medo de denunciar as situações por possíveis represálias. “Os castigos que os detentos são submetidos a tortura e não podem denunciar, pois são punidos”, afirmou. 

O relato também aponta que o receio de consequências atingiria os familiares, que evitariam se identificar ou formalizar denúncias por medo de prejudicar os parentes que estão presos. 

Em resposta à reportagem anterior, a Sejusp afirmou que a distribuição de senhas foi adotada para organizar o atendimento e garantir que visitantes com direito à prioridade sejam atendidos conforme a legislação federal. 

A secretaria informou que as visitas sociais começam às 8h e terminam às 15h, de acordo com a organização da unidade. Sobre a espera pelas senhas, a Sejusp afirmou que os familiares podem utilizar o salão dos visitantes, que, segundo a secretaria, dispõe de água potável, banheiro, geladeira e cadeiras. 

A pasta destacou ainda que os familiares “não precisam permanecer ou dormir em barracas na área externa” da unidade, uma vez que o acesso ao salão dos visitantes é permitido. 

A Sejusp também informou que o tempo de permanência na unidade pode variar conforme a demanda e a dinâmica dos atendimentos. Diante das novas denúncias, os familiares pedem que as condições de visita e permanência dos detentos sejam verificadas pelos órgãos responsáveis. 

O Jornal da Manhã encaminhou à Sejusp os novos questionamentos relacionados às denúncias sobre as visitas, exigência de documentação para visitantes, alimentação, condições de higiene, acesso à água e supostos castigos aplicados aos detentos. Até o fechamento desta matéria, a secretaria não havia respondido especificamente aos novos questionamentos. O espaço permanece aberto para manifestação da Sejusp e da direção da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira.

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