
(Foto/Reprodução)
Familiares de detentos da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, em Uberaba, procuraram o Jornal da Manhã para denunciar as condições enfrentadas durante a espera para conseguir senhas de visita a reclusos. Segundo os relatos encaminhados à reportagem, há pessoas que chegam a permanecer na porta da unidade durante a noite, incluindo crianças, idosos e visitantes que vêm de outras cidades, em busca de atendimento no dia seguinte. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) informou que tomou conhecimento da situação e busca diálogo com a direção da unidade, enquanto a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), responsável pela organização das visitas, não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento.
Entre as situações relatadas à reportagem estão pessoas aguardando na porta da penitenciária em áreas sem estrutura adequada, além da ausência de locais apropriados para descanso, alimentação e higiene. Segundo os familiares, há visitantes que precisam permanecer no local por várias horas e, em alguns casos, chegam a passar a noite na área externa da unidade. “Tem mãezinha passando mal de calor e fome na porta porque não tem condições de pagar um lanche”, relata um familiar.
Outro problema apontado está relacionado ao tempo de espera para entrada na unidade. Segundo os relatos, há visitantes que permanecem por horas aguardando atendimento e chegam a entrar quando o horário da visita já está avançado.
Um dos familiares afirma que, em alguns casos, a demora também compromete a alimentação levada aos detentos. “Das 14h às 15h, ainda tem familiar lá de fora sem entrar, com comida azeda que custou arrumar um dinheiro para fazer e levar”, afirma. Os familiares também questionam a alteração na forma de distribuição das senhas. Segundo os relatos encaminhados ao JM, o sistema anterior, realizado por meio de aplicativo, permitia que os visitantes se organizassem com antecedência e evitassem longas filas na porta da unidade.
A mudança para o sistema por ordem de chegada, segundo os denunciantes, teria provocado justamente o efeito contrário, com pessoas chegando cada vez mais cedo para garantir a senha. “Eles alegaram que a fila ia ser por ordem de chegada e iria melhorar, e foi só piorar”, afirmou uma familiar. Os denunciantes defendem que seja avaliada a retomada de um sistema de agendamento que permita organizar previamente os visitantes.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) informou que a organização das visitas, a distribuição das senhas e as condições de acesso à Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira são de responsabilidade do Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) e da própria unidade.
A Seds informou ainda que tomou conhecimento da situação relatada pelas famílias e que está buscando diálogo com a direção da penitenciária. Segundo a secretaria, o objetivo é compreender melhor o cenário e contribuir, dentro de suas possibilidades, para a construção de uma solução que ofereça melhores condições às pessoas que aguardam atendimento no local. A Prefeitura reforçou, porém, que as medidas relacionadas à organização das visitas são de competência do Estado.
A reportagem procurou a Sejusp-MG para questionar a mudança no sistema de distribuição das senhas, as condições enfrentadas pelos familiares durante a espera e quais medidas estão sendo adotadas para evitar longos períodos de permanência na porta da unidade. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno da secretaria. O espaço permanece aberto para manifestação da Sejusp e da direção da Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira.