A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias envolvendo o atendimento de um jovem de 20 anos que foi levado à UPA do Mirante após ser agredido na saída de uma festa em Uberaba. A família questiona a assistência recebida na unidade e afirma que o rapaz recebeu apenas suturas e foi liberado sem a realização de exames de imagem. A Sociedade Educacional Uberabense (SEU), responsável pela gestão das UPAs, nega falhas no atendimento e afirma que o paciente recebeu a assistência indicada para o quadro apresentado naquele momento.
O jovem foi agredido durante a madrugada do último domingo (10), depois de, segundo o relato do pai à Polícia Civil, ser impedido de entrar em uma festa. Conforme o registro, ele teria sido cercado por um grupo de aproximadamente sete ou oito pessoas e atingido na cabeça com a coronha de uma arma.
Após conseguir deixar o local, o rapaz retornou para casa e foi levado pelo pai à UPA do Mirante. Segundo a família, ele apresentava ferimentos na cabeça e recebeu pontos na unidade. O relato também aponta que não teriam sido realizados exames de imagem antes da alta.
Horas depois, o quadro teria piorado. O jovem apresentou vômitos e, por volta das 7h, foi encontrado pelo pai desacordado, em coma, com uma pupila dilatada e espasmos em um dos pés. O SAMU foi acionado e, conforme o relato da família, a equipe identificou um traumatismo cranioencefálico.
O rapaz foi intubado e encaminhado ao Hospital de Clínicas, onde passou por uma cirurgia para retirada de um hematoma intracraniano. Segundo as informações divulgadas pelo vereador Cléber Júnior, o procedimento durou cerca de oito horas. No início da noite desta quarta-feira (12), o jovem permanecia em coma.
A família levou à Polícia Civil a suspeita de que a gravidade do quadro não teria sido identificada durante o primeiro atendimento na UPA. O caso também deverá ser encaminhado ao Ministério Público.
Segundo o vereador Cléber Júnior, que acompanhou a manifestação da família, médicos do Hospital de Clínicas teriam informado que o paciente deveria permanecer em observação por pelo menos seis horas após o trauma. A informação, entretanto, faz parte do relato apresentado pelo vereador e deverá ser analisada durante a apuração.
A família também questiona a ausência de exames de imagem, como tomografia, antes da alta.
Em nota, a Sociedade Educacional Uberabense afirma que o jovem foi acolhido, passou pela classificação de risco e foi avaliado pela equipe médica. “O paciente foi devidamente acolhido na unidade, submetido à classificação de risco e avaliado pela equipe médica, recebendo a assistência indicada de acordo com o quadro apresentado no momento do atendimento”, informa.
A instituição afirma ainda que as decisões tomadas pela equipe consideraram as informações fornecidas pelo paciente, o mecanismo do trauma e os resultados do exame clínico. “Na avaliação realizada naquele momento, não foram identificados sinais clínicos de alerta”, afirma.
A SEU também aponta que houve divergências entre as informações apresentadas posteriormente pela família e aquelas relatadas durante o atendimento. “Essa circunstância é relevante porque a avaliação clínica e a definição das condutas são necessariamente realizadas a partir das informações e dos achados disponíveis ao profissional naquele momento”, informa.
Segundo a gestora, o paciente recebeu alta após o atendimento, com as orientações médicas.
A Polícia Civil informou ao JM que instaurou Inquérito Policial (IP) para apurar as circunstâncias e os demais aspectos relacionados ao caso.
De acordo com a corporação, as diligências estão sendo realizadas para esclarecer a dinâmica dos acontecimentos, identificar eventuais responsabilidades e reunir elementos para a conclusão da investigação.
A PCMG informou ainda que, neste momento, o inquérito está em andamento e que novas informações serão divulgadas conforme os limites legais e a necessidade de preservação dos trabalhos investigativos.
A investigação deverá esclarecer tanto as circunstâncias da agressão sofrida pelo jovem quanto os questionamentos apresentados pela família sobre o atendimento recebido na UPA