Condenado a 14 anos e foragido desde 2019, ele foi localizado em Divinópolis após meses de investigação; PCMG diz que próxima fase apura lavagem de dinheiro e ramificações do grupo

“É uma das prisões mais relevantes que fizemos nos últimos anos, considerando a expressividade dele na atividade criminosa em Minas Gerais”, afirmou a delegada-geral Letícia Gamboge (Foto/Reprodução @RomeuZema no X)
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, na sexta-feira (9/1), em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, Sonny Clay Dutra, de 43 anos. Segundo a corporação, ele é apontado como o maior traficante de pasta base de cocaína de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil. A prisão foi divulgada oficialmente neste sábado (10/1), após uma operação de inteligência que, de acordo com a polícia, durou meses.
Conforme a PCMG, Dutra tinha mandado de prisão em aberto por uma condenação a 14 anos. Ele era investigado por ser responsável pela logística do transporte de drogas de países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, para abastecer pontos de venda em Minas. No momento da abordagem, foi flagrado com porte ilegal de arma de fogo e, segundo a polícia, não ofereceu resistência.
“É uma das prisões mais relevantes que fizemos nos últimos anos, considerando a expressividade dele na atividade criminosa em Minas Gerais”, afirmou a delegada-geral Letícia Gamboge.
Como a polícia chegou ao suspeito
A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), em conjunto com a Diretoria de Inteligência Policial da Superintendência de Informações e Inteligência Policial (SIIP).
Natural de Ouro Preto, Sonny Clay Dutra já havia sido preso pelo Deoesp em 2019, mas teve a prisão preventiva revogada à época. Desde então, de acordo com a PCMG, passou a ser considerado foragido e figurava na lista de criminosos mais procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
As investigações indicaram que ele residia em Itaúna, na mesma região, e foi localizado em uma boate de Divinópolis.
O delegado Davi Batista Gomes, da Draco 1, afirmou que a captura exigiu trabalho contínuo de inteligência e de campo. “Ele tem uma grande rede de proteção, tem muito dinheiro, então consegue trocar frequentemente de endereço”, disse. Para ele, a prisão representa um impacto direto na estrutura logística do tráfico no estado: “Conseguimos dar um golpe muito forte no tráfico de drogas do estado, principalmente na questão da grande logística, que abastece os pontos de droga”.
Próxima fase mira lavagem de dinheiro
O chefe da operação especializada do Deoesp, delegado Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira, lembrou que Dutra é investigado desde 2013 e sustentou que ele atuava em um nível acima da venda local, sem vínculo fixo com uma facção específica. “Mantendo interlocução com todas, atua em um nível acima da logística de drogas e é o responsável por trazer grandes quantidades de cocaína para Minas Gerais”, afirmou.
Segundo ele, a investigação agora entra em uma segunda etapa. “Vamos esmiuçar a questão da lavagem de dinheiro e tentar as outras ramificações da organização da qual ele faz parte. Conseguimos atingir o topo, agora vamos atacar a capilaridade dessa organização e chegar nas outras conexões”, explicou.
De acordo com a Polícia Civil, essa lavagem de dinheiro envolveria empresas de setores como alimentos e postos de combustíveis, com possíveis conexões em outros estados além de Minas, como São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.
Repercussão
O governador Romeu Zema comentou a prisão nas redes sociais e parabenizou a corporação. “Um dos maiores traficantes de Minas está onde precisa ficar, de volta à cadeia”, escreveu, ao citar o trabalho de inteligência que levou à captura.
*Com informações da Agência Minas.