Com o lançamento do Plano de Preparação e Resposta ao Período de Estiagem de 2026, o ex-comandante do Corpo de Bombeiros, Anderson Passos, reforçou a importância da prevenção e destacou que quase a totalidade dos incêndios tem origem na ação humana.
Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, ele afirmou que a fase atual, ainda com o “mato verde” e chuvas recentes, é o momento ideal para intensificar ações de conscientização e preparação antes do período mais crítico da seca. “99,1% dos incêndios são causados por ação humana. Mãos como as nossas, cabeças como as nossas”, afirmou.
Segundo Passos, os incêndios de origem natural são extremamente raros no Brasil, ocorrendo principalmente em casos de descargas elétricas em períodos de chuva, condição pouco comum durante a estiagem.
Ele destacou que fatores como bitucas de cigarro, descarte irregular de lixo e queimadas descontroladas são responsáveis pela maioria dos focos registrados, especialmente em rodovias e áreas rurais.
Entre as principais medidas preventivas, Passos destacou a importância dos aceiros, faixas sem vegetação que ajudam a impedir a propagação do fogo e do uso controlado de queimas prescritas, técnica que consiste na queima planejada e supervisionada de áreas com alto risco de incêndio.
Segundo ele, quando bem executada e autorizada, essa prática pode reduzir significativamente a área afetada por queimadas descontroladas. “Você queima 300 hectares para evitar que 10 mil sejam queimados”, explica.
Passos reforçou que nenhum sistema de combate ao fogo é suficiente sem prevenção e organização prévia. Ele destacou ainda que o Corpo de Bombeiros, sozinho, não consegue responder a múltiplas ocorrências simultâneas em períodos críticos. “Em nenhum país do mundo o Corpo de Bombeiros enfrenta incêndios florestais sozinho. É preciso envolver comunidade, empresas e produtores”, afirma.
Apesar do cenário preocupante, o ex-comandante ressaltou avanços tecnológicos no combate às chamas, como uso de aeronaves agrícolas adaptadas para lançamento de água e retardantes de fogo, além de sistemas de monitoramento mais rápidos.
Ele também defendeu maior integração entre instituições e uso de dados para identificar áreas de risco e otimizar o tempo de resposta.
Passos citou ainda um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) que indica que cada dólar investido em prevenção pode gerar economia de até oito dólares em ações de combate e recuperação após desastres. “Prevenção é muito mais barata em todos os aspectos”, afirmou.
Para o ex-comandante, além de políticas públicas e estrutura operacional, o fator decisivo continua sendo o comportamento humano. Ele defendeu campanhas educativas, mudança de hábitos e também aplicação rigorosa da legislação ambiental como forma de reduzir os incêndios. “Não adianta ampliar estrutura se a causa continuar sendo o comportamento humano”, finaliza.