O vigilante G.M.S. foi condenado a 36 anos de reclusão e seis meses de detenção pelo assassinato do colega de trabalho Emerson Aparecido Fernandes, crime ocorrido na madrugada de 3 de setembro do ano passado, em fazenda de Uberaba. A sentença foi proferida pelo juiz Gustavo Moreira, da 2ª Vara Criminal, após investigação apontar que o homicídio foi planejado para possibilitar o roubo e a venda das armas e equipamentos utilizados pelos seguranças.
Conforme consta, Emerson Aparecido Fernandes foi morto com um tiro à curta distância na parte traseira inferior da cabeça, na região occipital, enquanto realizava ronda noturna ao lado do colega, por volta das 3h05. A vítima morreu no local.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, após o crime, as duas armas pertencentes à empresa de segurança, além dos coletes balísticos utilizados pelos vigilantes, foram levados com o objetivo de comercialização. As investigações apontaram que os equipamentos já haviam sido anunciados para venda em aplicativo meses antes da execução.
Ainda de acordo com a sentença, o autor enfrentava grave crise financeira e acumulava dívidas com agiotas. A situação foi constatada por meio de mensagens encontradas no celular apreendido do acusado, analisadas durante a investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, além de depoimentos de familiares e testemunhas.
As apurações também revelaram que o réu não fazia dupla fixa com Emerson. Para estar no plantão em que ocorreu o crime, ele teria trocado de turno com outro vigilante, alegando compromisso familiar.
A Polícia Civil e o Ministério Público sustentaram ainda que a cena do crime foi adulterada pelo condenado para simular um assalto praticado por terceiros. Conforme os autos, o corpo da vítima e a motocicleta utilizada durante a ronda foram arrastados para reforçar a versão apresentada inicialmente pelo acusado.
Durante o interrogatório, G.M.S. negou a autoria do homicídio e manteve a versão de que dois assaltantes surpreenderam os vigilantes na fazenda e que um deles efetuou o disparo contra Emerson. Ele também negou possuir dívidas com agiotas, afirmando que mencionou dificuldades financeiras apenas para tentar conseguir um empréstimo com um pastor.
O caso ocorreu em fazenda localizada à margem da BR-050, em frente a um posto de combustíveis. Na ocasião, foi informado que dois vigilantes realizavam ronda quando teriam sido surpreendidos por criminosos armados, que anunciaram o assalto e exigiram as armas dos seguranças.
Segundo o relato inicialmente apresentado pelo colega da vítima, após entregar o revólver e o colete balístico, Emerson foi atingido por um disparo na cabeça. O sobrevivente afirmou que correu para os fundos de uma das casas da fazenda ao ouvir o tiro e, posteriormente, viu os suspeitos fugindo em direção à rodovia.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) esteve no local e constatou a morte do vigilante. A Polícia Civil e a perícia técnica realizaram os levantamentos que, posteriormente, levaram à conclusão de que o crime havia sido cometido pelo próprio colega de trabalho da vítima.