A situação de leitos em Uberaba está longe de ter sido resolvida, ainda. Segundo informou a Funepu, gestora das unidades de pronto-atendimento, na manhã desta segunda-feira havia 86 pessoas nas UPAs, sendo que 40 delas aguardavam transferência para leitos hospitalares, 22 no Mirante e 18 na São Benedito.
De acordo com a Funepu, ainda, dessas pessoas na fila por leitos, apenas 20 já tinham vagas autorizadas e aguardavam transferência; as demais estavam inseridas no SisReg, ainda sem destino, no entanto. Ao Pingo do J, o vice-prefeito Moacyr Lopes reforçou que a situação é acompanhada de perto pelo governo municipal. “Ainda é preocupante. Devemos abrir mais leitos de clínica médica Covid no Regional e liberar leitos no HC”, pontuou.
Um dos grandes desafios à abertura de leitos, no entanto, é encontrar profissionais para o atendimento aos pacientes. O assunto é recorrente e é um problema enfrentado não só em Uberaba, como em todo o país, que precisa lidar com profissionais esgotados mental e fisicamente diante de um período tão extenso de pandemia.
Ao Jornal da Manhã, a secretária-adjunta de Saúde, Valdilene Rocha, conta que o governo municipal tem procurado incessantemente profissionais da área, mas não consegue completar o quadro. “O município está trabalhando sim nesta questão. Estamos contratando mais pessoas para suprir essa necessidade. Nós temos que contar com a questão dos afastamentos, um funcionário com Covid hoje fica 15 a 20 dias afastado, dependendo da complicação. Então, são todos fatores que complicam a questão da assistência, e a gestão tem trabalhado para contratar mais profissionais”, relata.
Em recente entrevista à Rádio JM, o gestor das UPAs, Márcio Dias, aponta sobrecarga do sistema como “culpado” na regulação de leitos no município. Ele explica que muitos hospitais que recebiam pacientes transferidos das unidades de pronto atendimento deixaram de fazê-lo por estarem dedicados ao atendimento de pacientes Covid. “A Covid tomou leitos que eram de hospitais que faziam parte do apoio e suporte das upas, da nossa demanda, que a gente faz o atendimento e encaminha o paciente corretamente. Então a gente tinha o Hospital Regional, que prestava um suporte muito grande no setor de cirurgias, ortopédicas e cirurgia geral, além de procedimentos como tomografias, endoscopia e colonoscopia. Esse suporte deixou de existir a partir do momento que o Regional se tornou exclusivo para a Covid. Com o avanço da doença nós também perdemos o apoio do Hospital Universitário, nas enfermarias, e agora em abril nós perdemos uma grande parte dos leitos do HC, porque o HC também está dando um suporte a pacientes acometidos pela Covid. Com isso, esses pacientes não-Covid ficam represados nas unidades, porque o Hospital Escola passou a ser referência de tudo e para todos os hospitais da região, das cidades pequenas e das upas”, pondera.
*Colaborou Rafaella Massa