POLÍTICA

Advogado afirma que hacker queria vender mensagens de Moro ao PT

O advogado de Walter Delgatti Neto, que teria confessado a invasão, afirma que seu cliente tem problemas psiquiátricos

Publicado em 25/07/2019 às 08:20Atualizado em 17/12/2022 às 22:47
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FOTO: DANIEL MARENCO/AG. O GLOBO

O advogado de um dos suspeitos presos na terça-feira (23), o DJ de Araraquara, afirmou que seu cliente ouviu de outro dos quatro, Walter Delgatti Neto, que a intenção era vender ao Partido dos Trabalhadores as mensagens hackeadas do celular do ministro da Justiça, Sérgio Moro. O advogado também afirmou que seu cliente não sabe se o material foi negociado e afirmou que o DJ não teve envolvimento com a suposta invasão.

A versão por ele apresentada é a de que Delgatti, amigo de longa data do DJ, teria obtido as mensagens e mostrado o feito ao amigo. “Cuidado que você pode ter problema com isso”, teria alertado o DJ ao ver o material.

Já o advogado de Delgatti, Luiz Delgado, afirmou que não teve acesso ao inquérito e, por isso, não comentaria os fatos. Ele disse, ainda, que o cliente tem problemas psiquiátricos e “está atordoado”.

Em depoimento à Polícia Federal, Delgatti assumiu a autoria da invasão eletrônica ao celular de Sérgio Moro e de Deltan Dallagnol. Conhecido como “Vermelho”, Delgatti esteve oito anos longe do Twitter e voltou à rede social em maio desde ano, mesma época em que o Intercept começou a divulgar o material supostamente hackeado (a primeira aconteceu em 9 de junho). Entre as postagens, “Vermelho” comemorou a divulgação.

Também foram presos a mulher do DJ Gustavo Elias Santos, Suelen Oliveira, e Danilo Marques. Eles tiveram a prisão decretada por cinco dias, podendo ser prorrogada ou, se for o caso, convertida em prisão temporária.

A assessoria do PT se manifestou sobre o caso por meio de nota, afirmando que Moro, "responsável pela farsa judicial contra o ex-presidente Lula, comanda agora um inquérito da Polícia Federal com o claro objetivo de produzir mais uma armação contra o PT". Além disso, o partido diz que "as investigações da PF sobre as pessoas presas em São Paulo confirmam a autenticidade das conversas ilegais e escandalosas que Moro tentou desqualificar nas últimas semanas".

"Acuado, o ex-juiz repete seus conhecidos métodos: prisões espetaculares e vazamentos direcionados contra seus adversários. É criminosa a tentativa de envolver o PT num caso em que é Moro que tem de explicar e em que o maior implicado é filiado o DEM”, diz a nota.

Pontos a serem esclarecidos

A Operação Spoofing ainda tem pontos a serem elucidados. Quatro suspeitos foram presos e as participações de Delgatti e do DJ Gustavo já estão sendo apuradas; contudo, ainda não se sabe quais as suspeitas recaem sobre Suelen Priscila de Oliveira e Danilo Marques. Dos quatro, somente Suellen não tem antecedentes criminais.

Os investigadores tratam o relato de Vermelho com cautela, uma vez que ele é visto como estelionatário. Justamente por isso, tudo o que ele informar será investigado, especialmente a partir da quebra do sigilo bancário, fiscal e telemático do grupo, autorizada juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara Federal de Brasília. Essas informações podem revelar as conversas que tiveram nos últimos meses e a origem do dinheiro atribuído a dois deles, o DJ Gustavo Henrique Elias Santos e Suellen Priscila de Oliveira, que movimentaram R$ 627 mil em dois períodos do ano passado e neste ano. Suspeita-se que eles tenham vendido os dados e a apuração tenta descobrir com que motivação.

Em apresentação sobre as investigações a jornalistas, a PF afirmou que mais de mil celulares foram invadidos, mas deixou alguns pontos em abert Houve tentativa ou houve de fato invasão aos celulares das autoridades? Essas mensagens foram repassadas ao site The Intercept Brasil, que desde 9 de junho divulga conversas atribuídas a Moro e procuradores da Lava Jato? O grupo agiu sozinho ou houve financiamento? Será possível comprovar se as mensagens foram adulteradas? Moro afirmou que apagou o Telegram em 2017 - mas o aplicativo, segundo a PF, foi a porta de entrada para a invasão que teria ocorrido entre maio e junho deste ano

Em seu perfil no Twitter, Moro escreveu nesta quarta-feira, 24, que “pessoas com antecedentes criminais” são a “fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime”. O ministro não citou nomes, mas, ao apontar “pessoas com antecedentes criminais”, se referiu ao grupo preso na Operação Spoofing. Walter “Vermelho”, que mora em Araraquara, interior paulista, acumula processos por estelionato, falsificação de documentos e furto.

O ministro também registrou que, ao autorizar a prisão dos suspeitos, o juiz informa que 5.616 ligações foram efetuadas pelo grupo com o mesmo modus operandi e suspeitas, portanto, de serem hackeamentos. “Meu terminal só recebeu três. Preocupante”, postou.

Ainda ontem, os diretores do The Intercept Brasil, Leandro Demori e Glenn Greenwald, rebateram, também no Twitter. “Está cada vez mais clar Moro virou político em busca de um foro privilegiado”, disse Demori. “Nunca falamos sobre a fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta. Não surpreende vindo de quem não respeita o sistema acusatório e se acha acima do bem e do mal. Em um país sério, o investigado seria você”, escreveu Demori em resposta a Moro.

Greenwald afirmou na rede social que o ministro “está tentando cinicamente explorar essas prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material jornalístico”. “Mas a evidência que refuta sua tática é muito grande para que isso funcione para qualquer pessoa”, escreveu. Em nota, o The Intercept disse que a investigação “não muda o fato de que a Constituição garante o sigilo da fonte”.

Infográfic Estado de S. Paulo

*Com informações de UOL e Estado de S. Paulo

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