Juiz eleitoral Fabiano Rubinger de Queiroz ouviu mais uma testemunha complementar ao processo movido por Lerin que acusa Piau de abuso de poder econômico e compra de votos
Nesta terça-feira, o juiz eleitoral Fabiano Rubinger de Queiroz ouviu mais uma testemunha complementar ao processo movido por Antônio Lerin (PSB) que acusa Paulo Piau (PMDB) de abuso de poder econômico e compra de votos na eleição municipal. Agora, os advogados serão intimados pela Justiça para que apresentem as alegações finais. Depois disso o Ministério Público irá se manifestar e a expectativa do juiz Fabiano Rubinger é de que a sentença saia nas próximas semanas.
Assim como algumas das testemunhas ouvidas na segunda-feira (26), a que deu depoimento ontem também disse ter trabalhado como fiscal de Piau, recebendo R$50 em cheque, ter votado em Piau e ter feito boca de urna no segundo turno, supostamente por orientação. Ao final da audiência, os advogados de defesa juntaram documentos ao processo, entre eles cerca de 600 cheques nominais descartados, que chegavam preenchidos aos coordenadores, pelo não comparecimento dos fiscais no dia do pleito, e ainda o cadastro interno dos fiscais convocados.
Para Carlos Magno Bracarense, um dos advogados que fazem a defesa de Paulo Piau, ficou evidente que os testemunhos das pessoas chamadas pelos autores da ação foram orientados. “E ainda foram mal orientadas, porque deram discursos incoerentes. Uma [testemunha] fala que foi à escola no dia da eleição porque a irmã falou que estavam entregando cheques, sendo que nós já tínhamos o cadastro dela como fiscal desde o dia 23 (de outubro) no comitê, já havíamos feito consulta da regularidade do CPF dela e o cheque já havia chegado preenchido. Este é o meio legal para se contratar pessoas para trabalhar na eleição, até para possibilitar o recebimento por cheque e constar na prestação de contas. Isso tudo vai ser demonstrado nas alegações finais, o próximo passo antes da sentença”, afirma.
O advogado Flávio Roberto Silva, que representa Antônio Lerin, disse à reportagem que tem experiência de 12 anos com eleições, mas que ficou perplexo com a existência de um “esquema de compra de votos” que chamou de “festival de distribuição de cheques na cidade”. “Conseguimos demonstrar nas audiências que os cheques eram entregues dentro das escolas, que as pessoas eram abordadas antes de votar e recebiam cheques sob a alegação de que estariam sendo contratadas como fiscais”, frisa.
O promotor Emmanuel Carapunarla, que tem acompanhado as audiências, disse à reportagem que os depoimentos das testemunhas estão sendo encaminhados ao delegado da Polícia Federal, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo. Após a investigação da PF, se realmente ficar configurado que houve crime de venda de votos e boca de urna, em tese, as testemunhas também poderão ser processadas pelo Ministério Público.