Investigada por suspeita de tráfico de influência, Roberta Luchsinger chamou o presidente de “mau-caráter” e afirmou que não pretende poupar ninguém em eventual colaboração com a PF
Fotos com Lula (PT) aparecem no perfil de Roberta Luchsinger no Instagram (Foto/Reprodução/Instagram)
A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou que pretende firmar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) e que não pretende poupar ninguém, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As declarações foram dadas em entrevista à CNN Brasil neste sábado (17).
Investigada pela PF por suspeita de tráfico de influência no governo federal, Roberta chamou Lula de “mau-caráter”, “mentiroso” e “covarde”. As críticas ocorreram após o presidente tê-la chamado de “pilantra” durante uma sabatina ao Jornal Nacional, em 28 de agosto.
Segundo a lobista, a declaração do presidente provocou ameaças de morte e agressões contra ela. Roberta afirmou temer pela própria segurança e pela das filhas.
“Qualquer coisa que acontecer comigo ou com minhas filhas, vai ter a digital do presidente, as mãos do presidente”, declarou à CNN Brasil.
A empresária disse que quer colaborar com as investigações e apresentar informações às autoridades. “Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República [...] Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade”, afirmou.
Roberta questiona relações de Lulinha com ministros
Durante a entrevista, Roberta também contestou declarações de Lula sobre os contatos do filho com integrantes do primeiro escalão do governo federal.
Segundo ela, Lulinha teria se reunido diversas vezes com ministros e lideranças do governo. A lobista citou o ministro da Educação, Leonardo Barchini, e o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, mas não detalhou quais encontros teriam ocorrido com cada um nem o conteúdo das conversas.
Roberta também afirmou que teria sido procurada por integrantes do governo para prestar favores, como pagar contas ou hospedar pessoas que precisavam realizar cirurgias.
A empresária acusou ainda o presidente de proteger o filho e questionou o fato de a Polícia Federal ter realizado uma operação em sua residência, mas, segundo ela, não na casa de Lulinha.
As declarações são da própria lobista, que não apresentou, na entrevista descrita pela reportagem, detalhes que comprovem as acusações sobre os encontros e os supostos pedidos de favores.
Investigação apura suspeita de tráfico de influência
Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no governo federal em parceria com Lulinha. Segundo mensagens ela teria combinado ações com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para abrir portas no governo e prospectar negócios.
A lobista afirma estar disposta a colaborar com a PF. Até o momento, o conteúdo fornecido pela reportagem não detalha quais informações ela pretende apresentar em eventual acordo de delação premiada.