Sindicato questiona formação da comissão que avaliou novo prédio, organização das turmas e atendimento a alunos que não acompanharem transferência; Elisa já antecipou destino de servidores e do imóvel municipal
A confirmação da mudança da Escola Municipal Uberaba para o prédio da Supam abriu uma nova rodada de questionamentos sobre como será feita a transição da unidade para 2027. O Sindicato dos Educadores do Município de Uberaba (Sindemu) encaminhou ofício à Secretaria Municipal de Educação (Semed) cobrando informações sobre a organização das turmas, lotação dos professores, participação da comunidade na escolha do imóvel e alternativas para estudantes que eventualmente não acompanhem a escola até o novo endereço, no bairro Abadia.
A manifestação ocorre um dia depois de a Prefeitura oficializar a locação do imóvel da Sociedade Uberabense de Proteção e Amparo aos Menores (Supam), na rua Frei Paulino, por R$ 100 mil mensais. Nesta terça-feira (25), a prefeita Elisa Araújo também concedeu entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, e antecipou respostas para parte das dúvidas apresentadas pelo Sindicato, embora outros pontos ainda permaneçam sem detalhamento.
Entre as principais preocupações apresentadas pelo Sindemu está a situação dos profissionais da Escola Uberaba depois da transferência. Sobre esse ponto, Elisa afirmou que todo o quadro será mantido na unidade e que não haverá mudança de lotação dos servidores em razão da ida para a Supam. A prefeita informou ainda que a nova estrutura permitirá ampliar em mais de 150 o número de vagas e aumentar a oferta de Tempo Integral a partir do próximo ano.
A declaração responde à preocupação sobre a permanência dos profissionais, mas não esclarece integralmente outro questionamento feito pelo Sindicato: se haverá reorganização ou redução de turmas durante a transferência. A Administração anunciou expansão da capacidade da escola, porém ainda não apresentou publicamente a distribuição das turmas que funcionarão no novo endereço.
O Sindemu também quer saber como foi constituída a comissão que participou da avaliação do imóvel. Ao anunciar a nova sede, a Semed informou que o prédio passou por vistoria de uma comissão formada por integrantes da comunidade escolar e pela presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal, vereadora Rochelle Bazaga. Não foram apresentados, contudo, os critérios utilizados para a escolha dos representantes nem a composição completa do grupo.
(https://jmonline.com.br/cidade/prefeitura-confirma-predio-da-supam-como-nova-sede-da-escola-uberaba-aluguel-sera-de-r-100-mil-1.659747)
Outro ponto levantado pelo Sindicato diz respeito aos alunos que não permanecerem na Escola Uberaba após a mudança de bairro. A entidade questiona se a Prefeitura pretende disponibilizar os anos finais do Ensino Fundamental na Escola Municipal Reis Júnior como alternativa para esses estudantes. Até o momento, não houve anúncio da Semed sobre essa possibilidade.
A preocupação está relacionada ao deslocamento da unidade do Fabrício para a Abadia. Embora os dois bairros estejam próximos à região central, a alteração de endereço pode interferir na rotina de famílias que escolheram a Escola Uberaba considerando localização, transporte e organização familiar. Durante a entrevista ao Pingo do J, Elisa reconheceu que alguns estudantes poderão enfrentar deslocamento maior, mas afirmou que a nova estrutura compensará eventual desconforto.
Destino do prédio histórico também entra na cobrança
O ofício do Sindemu também solicita esclarecimentos sobre o futuro do prédio histórico pertencente ao Município e atualmente integrado ao complexo da Escola Uberaba. Para a entidade, a destinação do imóvel deve levar em conta não apenas a utilização administrativa, mas a relação do espaço com a história e a identidade da escola.
Esse ponto também foi abordado por Elisa nesta terça-feira. Segundo a prefeita, a parte pertencente ao Município deverá ser destinada a uma nova unidade do Centro de Referência da Educação Inclusiva (CREI), ampliando o atendimento especializado da rede municipal.
Já o anexo pertencente ao Serviço Social do Comércio (Sesc), hoje cedido gratuitamente para utilização pela Escola Uberaba, continuará com finalidade educacional após a devolução. De acordo com Elisa, o Sesc pretende instalar no local uma unidade própria, com oferta de vagas gratuitas para trabalhadores do comércio.
A Escola Uberaba permanecerá no endereço atual até o encerramento do ano letivo de 2026. A cessão gratuita do espaço pertencente ao Sesc foi prorrogada até 31 de dezembro, enquanto a mudança integral para a Supam está prevista para o início das aulas de 2027.
(https://jmonline.com.br/cidade/escola-uberaba-continua-sem-nova-sede-e-incerteza-preocupa-comunidade-escolar-1.622512)
A definição do novo endereço encerrou uma das principais incertezas que cercavam a unidade desde o ano passado, mas não eliminou as cobranças por participação da comunidade nas decisões. Em março, o JM mostrou que o Sindemu havia acionado o Ministério Público diante da falta de informações sobre o futuro da escola e do receio de impactos sobre estudantes e profissionais.
(https://jmonline.com.br/cidade/sindicato-aciona-mp-diante-de-indefinic-o-sobre-escola-uberaba-1.605211)
Na ocasião, a preocupação central era justamente a ausência de definição para 2027. Agora, o Sindicato informa que a Notícia de Fato foi arquivada e que apresentou recurso contra a decisão. Segundo a entidade, no pedido ao Ministério Público também foi solicitada a realização de audiência com participação da comunidade escolar, da Semed, do Conselho Municipal de Educação e dos demais envolvidos na transferência.
O novo endereço foi confirmado após meses de negociações e tentativas frustradas de encontrar um imóvel que comportasse integralmente a unidade. Em julho, a Semed já havia garantido ao JM que a escola não seria dividida entre diferentes prédios e que a transferência ocorreria antes do início do próximo ano letivo.
(https://jmonline.com.br/cidade/prefeitura-garante-que-mudanca-da-escola-uberaba-esta-dentro-do-prazo-1.647180)
Na Supam, a Escola Uberaba passará a contar com prédio de aproximadamente 4,5 mil metros quadrados, 36 salas de aula, quadra poliesportiva, piscina, laboratório, refeitório e espaços administrativos. A Prefeitura pretende ainda implantar atendimentos de odontologia e psicologia e integrar ações das áreas de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social.
Apesar dessas definições, continuam sem resposta pública algumas das questões apresentadas pelo Sindemu, especialmente sobre a composição da comissão que participou da escolha do imóvel, eventual reorganização das turmas e a possibilidade de ampliar a oferta dos anos finais do Ensino Fundamental no Reis Júnior para atender estudantes que não permaneçam na Escola Uberaba depois da mudança.