Derrotado na disputa por uma vaga de deputado federal, o ex-prefeito de Uberaba Anderson Adauto (PV) afirma que não pretende abandonar projetos que vinha articulando para a cidade durante o período eleitoral. Entre as iniciativas estão a reestruturação do Trevo do Maracanã e as tratativas para ampliar a oferta de gás natural e biometano na região. A diferença, segundo ele, é que a atuação no setor energético deverá deixar de ser política e passar a ter caráter profissional.
Sobre o resultado das urnas, Anderson diz que não ficou frustrado e atribui a derrota a uma mudança no comportamento do eleitor, com maior peso das redes sociais e da identificação com os candidatos. “Eu me senti demodê. Essa eleição não foi para aquele político antigo tradicional, que estabelece compromisso, diz o que vai fazer, coloca suas bandeiras”, afirma ao Pingo do J na Rádio JM.
O ex-prefeito também avaliou que houve uma “onda de extrema direita” que favoreceu candidatos identificados com esse campo e com as redes sociais. Apesar da derrota, afirmou que respeita a decisão do eleitor. “O eleitor tem a última palavra”, diz. Anderson também comparou o cenário atual com sua primeira eleição, quando, segundo ele, foi beneficiado por uma onda política favorável ao PMDB.
Um dos compromissos que pretende continuar acompanhando é a remodelação do Trevo do Maracanã. Anderson afirma que já articulou com o diretor-geral da concessionária responsável pelo trecho e que o projeto executivo está sendo elaborado com duas alternativas. Segundo ele, após a conclusão dos estudos, a associação de moradores deverá ser recebida para conhecer a proposta e o cronograma. O projeto de reestruturação do trevo tem previsão de avançar para a fase de obras a partir de 2027, após etapas técnicas e regulatórias.
No caso do gás, Anderson diz que pretende continuar acompanhando o processo, mas sem atuar politicamente. “Eu agora não vou mexer nisso mais do ponto de vista político. Talvez eu possa continuar trabalhando nisso comercialmente, como consultor”, afirma. Ele avalia que as mudanças regulatórias no setor abriram caminho para a interiorização do gás e que o projeto para Uberaba já alcançou um estágio em que não dependeria mais exclusivamente de uma articulação política.
Anderson também pretende seguir ligado ao biometano. Ele afirma que já presta consultoria a um grupo que atua com tecnologia para produção do combustível e cita uma nova usina que deverá operar na região. A intenção é estimular tanto a produção quanto o consumo do biometano, inclusive no transporte. Segundo ele, há tratativas para avaliar o uso do combustível em caminhões de lixo e no transporte coletivo de Uberlândia.
Para Anderson, biometano e gás natural são projetos complementares e a chegada de infraestrutura para transporte do gás continua importante para a consolidação do mercado. “Eu continuo no gás, mais na linha profissional do que política agora”, resume.
Mesmo fora do mandato, Anderson afirma que pretende repassar o conhecimento acumulado nas articulações para quem assumir a condução desses projetos. “Eu trabalhei por uma causa que eu acredito que proporcionará Uberaba dar um grande salto”, disse. Para ele, o avanço das regras do mercado de gás e dos projetos de biometano mantém aberta uma perspectiva de novos investimentos para a cidade, independentemente de quem esteja à frente dos governos.