O arcebispo metropolitano de Uberaba, Dom Paulo Mendes Peixoto, está entre os 35 bispos católicos que assinaram uma carta pública com posicionamento sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Divulgado nessa quinta-feira (22), o documento, sem citar nomes, faz críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e aponta alinhamento de propostas atribuídas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com princípios da doutrina social da igreja.
Intitulada “Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026”, a manifestação defende que a gravidade do cenário eleitoral não permite neutralidade diante da disputa marcada para domingo (25).
Embora não cite nominalmente os candidatos ao orientar os eleitores, o texto critica posições atribuídas a Flávio Bolsonaro sobre direitos trabalhistas, incluindo o fim da escala 6x1, armamento, preservação ambiental, programas sociais e relações do Brasil com os Estados Unidos.
Os bispos também mencionam homenagens feitas por integrantes da família Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido judicialmente como torturador durante a ditadura militar. Em contraponto, destacam compromissos atribuídos à candidatura de Lula com a população mais pobre, o meio ambiente e o respeito à Constituição.
A carta relaciona o cenário eleitoral às experiências autoritárias vividas na Europa no século 20 e alerta para riscos à democracia, à soberania nacional e aos princípios sociais defendidos pela Igreja Católica.
O debate sobre a relação entre religião e movimentos políticos de extrema direita também foi abordado pelo papa Leão XIV. Questionado sobre o avanço dessas correntes, especialmente na Alemanha, onde integrantes do partido AfD se apresentam como cristãos, o pontífice afirmou que essas posições não representam o cristianismo autêntico.
“Vemos também algumas manifestações que combinam essas posições de extrema direita com um determinado tipo de religião”, declarou. Segundo o papa, lideranças católicas e protestantes alemãs já se manifestaram no mesmo sentido, rejeitando a associação entre a extrema direita e uma expressão autêntica da fé cristã.
Além de dom Paulo Mendes Peixoto, assinam o documento dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho, e dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo de Feira de Santana, entre os 35 bispos de diferentes regiões do país.