EITA

Armas de guerra podem chegar mais facilmente ao Brasil após mudanças nos EUA, alerta estudo

Estudo aponta que flexibilização defendida pelo governo Trump pode facilitar circulação ilegal de armamentos de alto poder de fogo e cita Estados Unidos como uma das principais origens de armas apreendidas no Sudeste brasileiro

Publicado em 20/07/2026 às 10:50
Compartilhar
 (Foto/Divulgação)

(Foto/Divulgação)

A flexibilização das regras para venda de armas nos Estados Unidos voltou a levantar preocupações entre especialistas em segurança pública no Brasil. Um estudo internacional aponta que mudanças propostas pelo governo de Donald Trump podem ampliar os riscos de desvio de armamentos para o mercado ilegal e facilitar o acesso de organizações criminosas brasileiras a armas de padrão militar.

O levantamento destaca que os Estados Unidos estão entre as principais fontes de armas apreendidas na Região Sudeste do Brasil. A pesquisa “Fogo às Cegas: A Ascensão das Armas de Estilo Militar no Brasil”, publicada no Journal of Illicit Economies and Development, analisou a circulação de armamentos ilegais entre 2019 e 2023.

Segundo o estudo, o mercado clandestino brasileiro é abastecido por diferentes caminhos, como produção ilegal de armas, tráfico internacional e importação de componentes usados na montagem de armamentos.

Novas regras nos EUA geram preocupação

O pacote apresentado pelo governo Trump reúne 34 medidas que alteram procedimentos de venda e controle de armas nos Estados Unidos. Entre as mudanças estão a possibilidade de compra de armas por meio dos correios, redução do período de armazenamento de registros de vendas por comerciantes e flexibilização de consultas sobre antecedentes de compradores.

O Departamento de Comércio americano afirmou que as alterações têm como objetivo ampliar a competitividade da indústria de armas do país no mercado internacional.

Especialistas brasileiros, porém, alertam para o risco de que um mercado menos restritivo facilite o desvio de armas e peças para redes criminosas em outros países.

Estados Unidos aparecem entre principais origens de armas ilegais

O estudo aponta que os EUA representam cerca de 9% do mercado ilegal de fuzis no Brasil. Quando são incluídas armas apreendidas sem identificação de fabricante, o percentual chega a 17%.

A pesquisa também cita exemplos de outros países da América Latina. No México, cerca de 80% das armas apreendidas com cartéis de drogas têm origem nos Estados Unidos. No Caribe, levantamentos indicam que grande parte dos armamentos utilizados por grupos criminosos também foi rastreada até o território americano.

Armas de fabricação clandestina e peças importadas

Outro ponto de preocupação é o crescimento das chamadas “armas fantasmas”, montadas a partir de componentes que dificultam a identificação e o rastreamento.

Segundo o estudo, organizações criminosas têm recorrido à importação ilegal de peças utilizadas na montagem de fuzis e outros armamentos de alto poder de fogo.

Em 2023, a Polícia Federal desarticulou no Rio de Janeiro um grupo suspeito de montar 47 fuzis usando componentes produzidos por uma fabricante norte-americana. A investigação apontou possível ligação com aquisição de peças no mercado dos Estados Unidos.

Minas Gerais tem destaque nas apreensões

Entre 2019 e 2023, Minas Gerais esteve entre os estados com maior número de apreensões de armas de fogo na Região Sudeste. Quando analisados apenas armamentos de estilo militar, como fuzis, submetralhadoras e metralhadoras, o estado aparece atrás apenas do Rio de Janeiro.

O levantamento aponta ainda uma característica diferente em Minas: enquanto Rio de Janeiro e São Paulo registram maior presença de fuzis nas apreensões, no território mineiro predominam as submetralhadoras.

Minas Gerais e Espírito Santo concentraram aproximadamente 83,8% das apreensões de submetralhadoras registradas na Região Sudeste no período analisado.

Facções brasileiras entram em foco

O debate ocorre em meio ao aumento das ações internacionais contra organizações criminosas brasileiras. Recentemente, o governo dos Estados Unidos incluiu o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em listas de organizações classificadas como terroristas.

Segundo autoridades americanas, a medida busca dificultar o acesso dessas facções a recursos financeiros e redes de apoio internacionais.

Para especialistas, a discussão sobre controle de armas reforça o desafio de impedir que armamentos comercializados legalmente em determinados países acabem abastecendo o crime organizado em outras regiões.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por