POLÍTICA

Audiência na CCJ termina em tumulto após bate-boca entre Paulo Guedes e deputado

Zeca Dirceu (PT-PR) disse que ministro da Economia é 'tigrão' com aposentados e 'tchutchuca' com a 'turma mais privilegiada'. 'Tchutchuca é a mãe, tchutchuca é a vó', respondeu Guedes

Publicado em 04/04/2019 às 07:15Atualizado em 17/12/2022 às 19:36
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Audiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara destinada à apresentação da reforma da Previdência aos Parlamentares terminou com ânimos exaltados. A animosidade entre ministro da Economia, Paulo Guedes, e deputados da oposição levou ao encerramento precoce da sessão.

Na reunião, o ministro defendeu a reforma, afirmando que o governo gasta dez vezes mais com a Previdência do que com a educação. Entre outras coisas, Guedes ainda falou sobre o plano de cobrar grandes devedores.

Contudo, a audiência foi encerrada após pouco mais de seis horas de duração após confusão com deputados da oposição. Tudo começou quando o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou que o ministro age como “tigrão” em relação a aposentados, idosos e pessoas com deficiência, mas como “tchutchuca” em relação à “turma mais privilegiada do nosso país”.

A reação na Casa foi imediata, quando os deputados começaram a cobrar decoro por parte de Zeca Dirceu e o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), pediu aos parlamentares respeito com o ministro. Fora do microfone, Paulo Guedes se dirigiu a Zeca Dirceu e respondeu: “Você não falte com o respeito comigo. Tchutchuca é a mãe, tchutchuca é a vó”. O ministro ainda disse que só respeita quem o respeita. “Se você não me respeita, você não merece meu respeito”, afirmou Guedes.

“Infelizmente, tive de encerrar em função de alguns desencontros. No entanto, muitos oradores falaram, muitas perguntas foram feitas, o ministro respondeu a muitos questionamentos. Acredito que a reunião foi muito produtiva, mas infelizmente tive de encerrar um pouco mais cedo em virtude de algumas brigas internas ali”, afirmou Francischini.

Outros conflitos. Antes do problema com Zeca Dirceu, Guedes enfrentou hostilidade de oposicionistas em outros momentos. Em um deles houve confusão e gritaria quando o ministro afirmou que era preciso “internar” quem não considera necessária a reforma da Previdência. Outro momento foi com o líder do PSOL, Ivan Valente (SP), durante explicações sobre as empregadas domésticas. Valente questionou desde quando uma doméstica no Brasil consegue ter registro em carteira por tempo suficiente para conseguir 20 anos de contribuição. Em resposta, Guedes alfinetou a oposição, afirmando que tiveram por quatro mandatos no poder e indagou por que eles não votaram a tributação sobre dividendos, e por que “deram dinheiro para empresários” e para a empresa JBS, empresa que esteve no centro de escândalos apontados pela Operação Lava Jato. “Vocês estiveram no governo. Vocês são governo. Nós estamos há três meses. Vocês tiveram 18 anos, 18 anos no poder e não tiveram coragem de mudar, não pagaram nada, não cortaram dividendos. O PSOL nasceu porque eles [PT] fecharam questão”, reagiu Guedes. Diante do princípio de confusão, Felipe Francischini ameaçou encerrar a audiência. Em outro momento, Guedes foi questionado sobre privilégios na proposta em relação aos trabalhadores do setor privado e dos civis; ele disse que, se houverem, que sejam cortados pelo Congresso Nacional. “Cortem vocês. Vocês são o Congresso Nacional. Têm medo de fazer isso? Eu vou dizer para vocês o que eu acho. Eu penso o seguinte: passou o tempo em que a Previdência poderia ter sido um mecanismo, uma fábrica de desigualdades”, respondeu o ministro. Ainda tiveram outros momentos tensos, sobretudo quando parlamentares de oposição citaram o sistema previdenciário chileno, cuja previdência social, com sistema de capitalização (similar ao proposto por Guedes), paga benefícios de baixo valor. “Chile, US$ 26 mil de renda per capita, quase o dobro do Brasil. Acho que a Venezuela está bem melhor”, ironizou Guedes.

*Com informações do G1 Política

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