
Segundo o tribunal, em parte das medições analisadas faltam informações claras que comprovem como os serviços foram calculados e conferidos no local (Foto/Reprodução)
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou problemas na forma como foram registrados serviços de manutenção em rodovias federais que passam por Minas Gerais. A análise encontrou inconsistências em documentos que envolvem cerca de R$ 7,5 milhões em contratos administrados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Segundo o tribunal, em parte das medições analisadas faltam informações claras que comprovem como os serviços foram calculados e conferidos no local. Na prática, a documentação apresentada não permite confirmar com segurança se tudo o que foi pago realmente foi executado nas estradas.
Os contratos fazem parte de um pacote maior que soma aproximadamente R$ 747,3 milhões. Neles estão incluídos serviços rotineiros de conservação das rodovias federais, como tapa-buracos, recomposição do asfalto, retirada de camadas danificadas do pavimento e aplicação de nova massa asfáltica, além da recuperação de trechos desgastados.
Esse tipo de manutenção é realizado de forma contínua para manter as rodovias em condições de uso. Como os pagamentos são feitos com base na quantidade de serviço executado, é necessário apresentar relatórios técnicos, cálculos e registros que comprovem o trabalho realizado.
A auditoria em Minas faz parte de uma fiscalização realizada em todo o país. O TCU analisou 100 processos de medição ligados a 47 contratos de manutenção de rodovias federais em 25 estados. O relatório foi aprovado pelo plenário do tribunal no fim de fevereiro.
Relator do processo, o ministro Aroldo Cedraz afirmou que a falta de informações detalhadas nas medições contraria normas internas do DNIT e prejudica a transparência na aplicação de recursos públicos.
Durante a fiscalização, o tribunal também encontrou pagamentos indevidos em outros estados. No Pará, em serviços na BR-316, erros nos cálculos levaram a um pagamento a mais de cerca de R$ 22,1 milhões. Já no Rio Grande do Sul, em contrato relacionado à BR-287, foram identificados cerca de R$ 731 mil pagos acima do valor correto.
Depois da atuação do TCU, o DNIT reconheceu as falhas e iniciou a devolução dos valores. Até agora, cerca de R$ 11,8 milhões já foram devolvidos aos cofres públicos. Outros valores ainda devem ser compensados em medições futuras.
O tribunal também informou que sua atuação evitou um novo pagamento de aproximadamente R$ 13,2 milhões que estava previsto. Com isso, o benefício financeiro total da fiscalização chega a cerca de R$ 36 milhões.
Como medida para evitar novos problemas, o TCU determinou que o DNIT passe a exigir registros mais detalhados nos processos de medição dos serviços, incluindo informações sobre a situação das rodovias antes e depois das obras. A fiscalização desses contratos deve continuar nos próximos anos.