Campanha do candidato à presidência da República Fernando Haddad (PT), derrotado em outubro, deixou saldo negativo de R$ 2,2 milhões, segundo prestação de contas declarada ao Tribunal Superior Eleitoral, que aponta arrecadação de R$ 35,3 milhões e gasto de R$ 37,5 milhões. O valor da dívida é apenas R$ 200 mil a menos que o total de despesas declarado por Jair Bolsonaro (PSL), que registrou gasto de R$ 2,4 milhões e arrecadação de R$ 4,3 milhões, correspondente a cerca de 12% da receita do petista.
No início do mês, o Partido dos Trabalhadores anunciou em suas redes sociais campanha de arrecadação para cobrir o prejuízo da campanha de Haddad, convocando a militância “fortalecer a resistência” ao ajudar a encerrar as contas. O partido orientou eleitores de Haddad a fazerem vaquinhas virtuais e aceitarem doações apenas de pessoas físicas, como manda a lei.
Essa não é a primeira vez que o PT fica com a conta de campanha de Haddad. Em 2016, quando ele perdeu a reeleição à prefeitura de São Paulo, o gasto foi de R$ 14,6 milhões contra arrecadação de menos da metade – R$ 6,7 milhões. A responsabilidade pela dívida gerou, inclusive, uma crise entre o candidato e o partido. Haddad passou meses fazendo jantares de arrecadação para saldar a dívida.
Grande parte dos recursos da campanha presidencial veio do diretório nacional do PT, responsável por distribuir as verbas do Fundo Eleitoral. Foram 94% do total, correspondentes a R$ 33,4 milhões. A segunda fonte foi a vaquinha digital, que somou R$ 1,5 milhão (4% das receitas).
O maior fornecedor foi a empresa M. Romano Comunicação, responsável pela produção dos programas de rádio, TV e internet da campanha petista, que recebeu R$ 4,8 milhões. O segundo maior foi a Rental Locação de Bens Móveis, que cobrou R$ 4,2 milhões pelo aluguel de equipamentos para a produção da propaganda petista. A OMA Assessoria em Pesquisas foi o terceiro maior fornecedor de Haddad, com R$ 2,4 milhões, equivalentes ao total de gastos declarado por Bolsonaro.
*Com informações do Estado de Minas