Presidente disse aos interlocutores que, antes, seria preciso consultar a bancada evangélica
A iniciativa de liberar os cassinos do país está sendo articulada. Alguns deputados do bloco conhecido como Centrão retomaram a ofensiva para liberar a abertura destes jogos. A informação foi destacada para o jornal O Estado de S. Paulo.
O presidente Jair Bolsonaro chegou a ser consultado para saber se o governo apoiaria um projeto com esse teor, mas não deu resposta definitiva. Bolsonaro disse aos interlocutores que, antes, seria preciso consultar a bancada evangélica. O grupo é contra o projeto, mas já admite discutir uma alternativa.
Em conversa com deputados, na semana passada, Bolsonaro afirmou que tudo pode ser "conversado", desde que passe pelo crivo dos evangélicos. Avisou, no entanto, que não concorda com a liberação do caça níquel porque "pais de família" podem usar o dinheiro do salário para jogar. Mesmo sendo contrário aos jogos, o presidente já deu sinais de que há a possibilidade de deixar cada Estado decidir o assunto por conta própria.
A ideia foi discutida durante almoço, nesta quarta-feira (27), entre Bolsonaro, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e vários deputados - na lista estavam, por exemplo, o líder do DEM, Elmar Nascimento (BA), o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva (SP), e Cláudio Cajado (PP-BA). Bolsonaro fez o convite para a reunião, no Palácio do Planalto, com o objetivo de se reaproximar dos deputados, que ali reclamaram, mais uma vez, do atraso no pagamento das emendas parlamentares. Mas o bate papo foi além e chegou aos jogos de azar.
O coordenador da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara, Silas Câmara (Republicanos-AM), disse que o grupo - formado por 195 dos 513 deputados - é majoritariamente contra a ideia, mas não descartou o debate de opções. "A bancada ouviria, dependendo de quem vier com a explicação", afirmou Câmara, citando o exemplo do prefeito do Rio. "Sendo ele (Crivella) um evangélico, não seria difícil ouvi-lo. A gente dialoga. Agora, dialogar e trazer uma proposta que não seja correta é complicado", completou.
O prefeito do Rio de Janeiro, Crivella é a favor da liberação de cassinos apenas para estrangeiros e tenta atrair um empreendimento para a capital fluminense.
Campanha
No ano passado, antes do segundo turno da eleição, o então candidato Bolsonaro negou que fosse favorável a liberar a abertura de cassinos. "Vou legalizar cassinos no Brasil? Dá para acreditar em uma mentira dessas?", disse Bolsonaro, em vídeo postado nas redes sociais. "Nós sabemos que o cassino aqui no Brasil, se tivesse, seria uma grande lavanderia, serviria para lavar dinheiro. E também para destruir famílias. Muita gente iria se entregar ao jogo."
*Com informações de O Tempo