A sugestão era vender os prédios (três e mais um auditório) para o governo federal transformar as instalações em uma universidade
Reprodução
A sugestão era vender os prédios (três e mais um auditório) para o governo federal transformar as instalações em uma universidade
O governo de Minas estuda vender a Cidade Administrativa, sede do Executivo, erguida durante o governo Aécio Neves (PSDB) e que custou aos cofres públicos cerca de R$ 1,2 bilhão. A informação foi dada pelo governador Fernando Pimentel (PT) em uma entrevista concedida ontem ao jornal Valor Econômico.
Segundo ele, a Cidade Administrativa vale “por baixo, R$ 2 bilhões” e pode ser vendida para algum fundo de pensão.
“Não há sentido em ter um imobilizado daquele tamanho que nos dá despesa enorme para manter, com o déficit de caixa do tamanho que nós temos hoje”, afirmou Pimentel.
Essa não é a primeira vez que o governo fala em vender sua sede, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Essa proposta foi feita, em março de 2015, pelo então secretário do Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz (PMDB), hoje no comando da Saúde.
A sugestão era vender os prédios (três e mais um auditório) para o governo federal transformar as instalações em uma universidade ou algo ligado à cultura. A intenção, segundo o secretário, era tentar arrumar recursos para resolver os problemas financeiros do governo, que herdou um déficit orçamentário de R$ 2,1 bilhões.
Propina. O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, afirmou em sua delação premiada à Lava Jato que se reuniu com Aécio Neves (PSDB-MG) para tratar de um esquema de fraude em licitação na obra da Cidade Administrativa para favorecer grandes empreiteiras.
A reunião, segundo o delator, ocorreu quando o tucano governava Minas.
Segundo o site de notícias UOL, Benedicto Júnior, conhecido como BJ, disse aos procuradores que, após o acerto, Aécio orientou as construtoras a procurarem Oswaldo Borges da Costa Filho.
De acordo com o depoimento, com Oswaldinho, como é conhecido, foi definido o percentual de propina que seria repassado pelas empresas no esquema.
Ainda de acordo com o delator, esses valores ficaram entre 2,5% e 3% sobre o total dos contratos.
Em nota ao Grupo Folha da Manhã, responsável pelo UOL, Aécio repudiou o teor do relato de Benedicto Júnior e defendeu o fim do sigilo sobre as delações “para que todo conteúdo seja de conhecimento público”.