Dois dias depois de anunciar que havia aceitado convite do MDB para disputar uma vaga no Senado, o vereador Cléber Júnior descartou a candidatura nesta segunda-feira (10). Ele apontou dois fatores para a decisão: uma questão eleitoral relacionada à permanência como apresentador de rádio e o custo financeiro da campanha, que, segundo ele, teria de ser bancado com recursos próprios.
Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, o parlamentar disse ter recebido o convite com muita alegria e gratidão por ter tido o nome escolhido pelo MDB em meio a tantas opções em Minas Gerais. "Recebi o convite com muita felicidade. Desde a semana passada começaram a me procurar, alegando que hoje o trabalho que eu faço despontou a atenção deles e que a internet hoje manda muito, ela chega na casa das pessoas em qualquer lugar que elas estiverem. Em análise, eles falaram que meu nome seria o mais indicado no momento para conseguir chegar na casa das pessoas em pouco tempo, porque a campanha está para começar", comemorou ele.
Cléber Jr revelou que a decisão havia sido tomada poucos minutos antes da entrevista à Rádio JM. "Descartei essa possibilidade. Pedi para que eu não seja candidato. Explico o motivo: a gente tem que se afastar do rádio até 30 de junho, que é o prazo máximo que qualquer candidato que vai concorrer às eleições deveria se afastar. Eu permaneci no rádio, porque eu não seria candidato. Mesmo assim, o Jurídico entende que há uma possibilidade, que há exceções e, por isso foi feito esse convite. Mas no meu ponto de vista, a gente entrar com processo para registro de candidatura, pedir análise do Tribunal sobre uma eventual multa por não ter saído do rádio, pagar essa multa para então registrar essa candidatura ou não, é um desgaste que a gente teria e a gente não tem esse tempo. A campanha está aqui, está chegando, é dia 16", declara.
Além da questão processual, o vereador também pontua que o custeio de uma eventual campanha a senador colaborou para a desistência da candidatura. "E outro ponto importante que me fez recuar dessa candidatura é a questão financeira. Hoje o partido não consegue me dar um respaldo financeiro para o cargo de senador, que precisa rodar todo o estado. Eu teria que sair por meios próprios. E eu não teria tempo de arrecadar com parceiros", pondera.
"Pensando com a razão, deixando a emoção de lado, seria uma perda muito grande. Eu não posso entrar para simplesmente ser candidato a senador. Sem uma estrutura eu não posso fazer isso. Pensando nisso, para agir com transparência, eu decidi com eles. Eles lamentaram muito, mas o desgaste é muito grande", afirma Cléber.
Mas o vereador não descarta candidaturas futuras. "Espero ter nova oportunidade em algum outro momento. Mas eu fiquei muito feliz que em 837 eleitos vereadores pelo MDB em Minas, eu fui o escolhido. É um sinal que meu trabalho, de alguma forma, está chamando a atenção deles. Vou continuar trabalhando muito para que surjam outras oportunidades", diz.
Cléber relembra ter recebido mais de dez convites para ser candidato a deputado, tanto federal como estadual, todos negados "por não ser o momento". Reafirmando seu compromisso com Uberaba, ele avalia que seu nome "dividiria o bolo", dificultando a representatividade da cidade em níveis estadual e federal.
As eleições gerais de 2026 serão realizadas no dia 4 de outubro, em primeiro turno, e, caso necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Os eleitores escolherão presidente da República, governador, dois senadores por estado e pelo Distrito Federal, além de deputados federais e deputados estaduais ou distritais.