Apontada em relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI), clínica particular de vacinação nega ter imunizado profissionais de forma irregular e furado a fila na campanha contra a Covid-19.
A médica e proprietária da clínica, Naiara de Pádua, disse ter sido surpreendida com as denúncias feitas pela CEI e declarou que em nenhum momento foi procurada para prestar esclarecimentos ou apresentar provas para refutar as acusações.
Pádua confirmou que realmente houve uma parceria com a administração municipal para a imunização contra a Covid-19 dos idosos residentes em asilos, mas não em troca de doses de vacinas e nem qualquer tipo de contrapartida do Poder Público. “Não cobramos nem um real por isso. Fizemos como filantropia para apoiar a Prefeitura e a população de Uberaba”, declarou.
A médica ainda acrescentou que não houve formalização de contrato, pois apenas foram cedidos veículo e equipe para dar suporte na vacinação itinerante. Questionada, ela posicionou que os funcionários da clínica não tinham acesso às doses e o estoque era manuseado somente por servidores da Prefeitura.
Em relação às acusações de fura-fila, a proprietária da clínica afirma que a empresa oferece testes de Covid-19 e parte da equipe também é considerada linha de frente no combate à doença. De acordo com ela, apenas os trabalhadores que atuam no atendimento de pessoas com diagnóstico de Covid-19 foram imunizados, mas ninguém do setor administrativo recebeu doses.
Quanto às denúncias de que ela própria e familiares teriam furado a fila, a médica argumentou que não foi vacinada pela clínica, mas sim devido ao trabalho no Hospital Mário Palmério. “Prestando serviço lá dentro e era responsável por acompanhar todos os trabalhadores que testavam positivo até a alta”, disse.
Além disso, a profissional manifestou que a mãe é profissional de Saúde e foi imunizada no prazo previsto para a categoria. Já a irmã, que também foi citada no relatório, foi vacinada por atuar no suporte psicológico aos pacientes com resultado positivo para Covid, sendo também considerada como trabalhadora da linha de frente de combate à doença.
A reportagem do Jornal da Manhã também tentou contato com os representantes da clínica de dermatologia denunciada por fura-fila no relatório da comissão especial, mas não obteve retorno.