Foi protocolado na sexta-feira (2) para análise do Ministério Público o resultado de auditoria externa realizada nas contas da Codau no exercício de 2020. O relatório apontou uma série de possíveis irregularidades no período referente à gestão do ex-presidente Luiz Guaritá Neto. Internamente, também houve a instauração de sindicância e a abertura de processos administrativos para apurar as questões identificadas.
De acordo com o presidente da Codau, José Waldir de Sousa Filho, a gestão atual teria iniciado a administração da companhia com um déficit financeiro de R$15 milhões este ano, em função dos problemas verificados na auditoria.
Um dos problemas apontados pela auditoria externa foram antecipações de medições de diversos contratos e pagamentos às empresas prestadoras de serviços, sem qualquer benefício à Codau, por causa da medida. Em consequência, outros fornecedores ficaram com créditos a receber vencidos.
José Waldir afirma que é preciso esclarecer o motivo do favorecimento de uma empresa em relação a outra. Ele, inclusive, cita que a situação levou ao cancelamento de empenho no fim do ano passado para pagar a empresa que já havia fornecido os painéis elétricos para a companhia, o que acabou tendo que ser pago pela nova gestão em 2021.
Outro problema citado no relatório foi o registro de uma dívida junto à Cemig, no valor superior a R$5 milhões. O atraso no pagamento acabou gerando juros e multas para a companhia, com a necessidade de parcelamento para quitação de dívidas.
Além disso, um dos pontos levantados pela auditoria foi a retenção de, aproximadamente, R$4 milhões em repasses do imposto de renda retido na fonte tanto de servidores quanto de terceiros. O valor deveria ter sido repassado ao Município, o que não foi verificado.
Também foram citados, aproximadamente, R$6 milhões em despesas diversas que foram autorizadas, mas sem o prévio empenho, ultrapassando o teto legal da fonte Codau (100-50).
Outro lado. Questionado, o ex-presidente da Codau, Luiz Guaritá Neto, declarou que não houve irregularidades e está tranquilo para esclarecer qualquer dúvida junto ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas.
Sobre a denúncia de possível favorecimento a prestadores de serviço, o ex-dirigente da companhia manifestou que todas as decisões foram administrativas. Ele informou que não saberia os detalhes do caso referente aos painéis elétricos, mas provavelmente havia ainda alguma pendência que levou ao cancelamento do empenho no fim do ano passado e, a partir daí, houve o pagamento de outros prestadores de serviço.
Além disso, Guaritá rebateu os questionamentos sobre a dívida deixada com a Cemig e defendeu que a decisão foi priorizar o salário dos servidores em dezembro, bem como o pagamento de empresas locais menores.
O ex-presidente também argumenta que o montante necessário para quitar a conta da Cemig seria o equivalente a cinco dias de arrecadação da Codau no início de janeiro e ressaltou que já não havia o peso da folha de pagamento dos servidores, que foi acertada em dezembro.