POLÍTICA

Com o distritão, os federais locais teriam sido eleitos, mas estaduais não

O chamado distritão, em discussão na reforma política em tramitação no Congresso, pode ser vantajoso, se aprovado

Marconi Lima
Publicado em 15/08/2017 às 22:22Atualizado em 16/12/2022 às 11:13
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O chamado “distritão”, em discussão na reforma política em tramitação no Congresso Nacional, pode ser vantajoso, se aprovado, para os deputados ligados a Uberaba na Câmara Federal. Já na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a cidade correria o risco de ficar sem representação.

Uma simulação publicada no portal de notícias UAI, que considera as votações para deputados federais nas eleições de 2014, dão um fôlego para que a proposta do “distritão” seja aprovada. Uma análise indica que, aplicado o novo sistema proposto sobre os resultados das últimas eleições gerais, apenas cerca de 10% dos parlamentares eleitos não teriam sucesso.

Da bancada mineira, apenas cinco dos 53 deputados que conquistaram cadeiras ficariam de fora caso o critério fosse apenas o do mais votado. Todos os deputados federais, seja com domicílio eleitoral ou base em Uberaba, estariam garantidos na Câmara Federal. Portanto, Marcos Montes (PSD), Aelton Freitas (PR) e Adelmo Leão (PT), domiciliados em Uberaba, e Caio Narcio e Zé Silva (SD), com base eleitoral no município, teriam seus mandatos assegurados.

Na disputa à Assembleia Legislativa, a simulação sugere que nove dos eleitos nas últimas eleições gerais não teriam sucesso. O deputado estadual Antônio Lerin (PSB), com domicílio eleitoral em Uberaba, estaria na lista dos não eleitos para o Legislativo Mineiro com o distritão.

Alerta. Ouvido pela reportagem do UAI, o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jairo Nicolau, alerta que os resultados de 2014 foram influenciados pelo atual sistema de lista aberta – em que os candidatos têm certo controle sobre com quem irão concorrer dentro dos partidos e coligações. Além disso, segundo ele, o pleito se deu num contexto em que vigorava o financiamento empresarial. Na hipótese de passar o distritão, os deputados federais não terão controle sobre os concorrentes: celebridades, pastores, pessoas conhecidas e muito ricas já sairão à frente na corrida, principalmente considerando o fato de que não haverá mais contribuição de empresas para as campanhas.

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