Profissionais cobram o cumprimento de acordo estabelecido no fim do ano passado, diante de outra mobilização da categoria
Jairo Chagas
Na noite de ontem, vários pacientes eram orientados a procurar as unidades de saúde nos bairros para o atendimento ambulatorial Para cobrar pagamento de salários atrasados, médicos das UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) paralisaram atividades desde ontem. Apenas os serviços de urgência e emergência estão mantidos. Os pacientes que aguardavam atendimento ambulatorial foram orientados a se dirigir às unidades básicas. Em documento encaminhado à direção das UPAs e à Secretaria Municipal de Saúde, os médicos informam que suspenderam atividades por tempo indeterminado até a regularização do pagamento dos salários. Os profissionais cobram o cumprimento do cronograma estabelecido em acordo firmado no fim do ano passado. Conforme apurou a reportagem do Jornal da Manhã, apenas dois médicos estavam trabalhando no início da noite de ontem na UPA São Benedito. O normal seria de quatro a cinco médicos por turno. A paralisação já resultou diversas reclamações na tarde de ontem. A paciente Márcia Cristina Queiróz afirma que chegou à UPA São Benedito às 14h em busca de atendimento ambulatorial e, depois de três horas, foi comunicada que os médicos da ala clínica não estavam atendendo. A usuária W.S. também procurou as duas unidades ontem porque o filho estava com febre, vômito e falta de ar, mas não conseguiu atendimento para a criança. Ela foi informada que apenas os casos de urgência estavam sendo atendidos pelos médicos. Pró-Saúde diz que movimento não tem respaldo legal e que pagará na sexta
Acionada, a Pró-Saúde confirmou a paralisação dos médicos e posicionou que não havia respaldo legal para o movimento deflagrado ontem pelos profissionais. “O aviso não respeitou um prazo mínimo para que não haja prejuízo ao atendimento à população”, manifestou a entidade.
Quanto ao pagamento, a organização social informou que os médicos foram comunicados no fim da semana passada que os salários em atraso estão programados para ser depositados até sexta-feira (17).
Além disso, a Pró-Saúde argumenta que o valor mensal pago para a prestação de serviços nas duas UPAs está aquém das demandas de atendimento. A entidade ressalta que negociação está em andamento para um reajuste do contrato.
“As unidades assumem serviços complementares para suprir o déficit de atendimentos hospitalares, ocasionado pela demora na abertura do Hospital Regional. Essa alta demanda tem acarretado gastos à Pró-Saúde que excedem o valor repassado pelo município. Por isso, embora a Prefeitura esteja cumprindo o pagamento em dia, os recursos não são suficientes para a gestão das unidades. A Prefeitura e a Pró-Saúde estão em tratativas para a busca do reequilíbrio econômico e financeiro do Contrato de Gestão”, encerra a nota.