Etapa de produção de provas foi encerrada esta semana pela comissão especial de impeachment no Senado, com apresentação da defesa escrita da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e as audiências realizadas com peritos que analisaram documentos do processo contra a petista. A comissão agora só voltará a se reunir no dia 2 de agosto para ouvir a leitura do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).
Os trabalhos da comissão ontem foram abertos com desentendimentos entre os senadores, devido à ausência de Dilma para prestar depoimento no colegiado. A presidente já havia comunicado publicamente que não compareceria à reunião. A leitura do depoimento escrito foi feita pelo advogado de defesa, José Eduardo Cardozo, e não foram autorizados questionamentos por parte dos senadores.
No depoimento, lido durante 50 minutos por Cardozo, a presidente afastada contesta argumentos da denúncia e afirma não haver sustentação para o processo de impeachment. A petista se declarou “vítima de uma farsa jurídica e política” no texto. Dilma defendeu que a edição dos decretos de crédito suplementar no orçamento de 2015 foi recomendada por todos os órgãos jurídicos e técnicos com obrigação de examinar tais atos.
A presidente afastada também classificou como descabida a tentativa de tratar as subvenções do Plano Safra como operações de crédito e de responsabilizá-la pelos atrasos nos repasses previstos. Ainda no depoimento, a petista disse não ser competência da Presidência da República o gerenciamento do Plano Safra e argumentou que não seria possível atribuir a ela a determinação quanto ao momento em que devem ser feitos os pagamentos.