Foto/AFP
Nesta quarta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro discursou na Organizações das Nações Unidas (ONU), durante a abertura da 74ª Assembleia-Geral, em Nova York, nos Estados Unidos. Bolsonaro aproveitou o momento para criticar países como Cuba e Venezuela, e defendeu a soberania do Brasil sobre a Amazônia.
Este ano a assembleia propõe os seguintes temas: Cúpula do Clima da Juventude; Encontro de Cúpula de Ação Climática e Reunião de Alto Nível sobre Cobertura Universal de Saúde;
Diálogo de alto nível sobre financiamento para o desenvolvimento e Reunião de Alto Nível sobre Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.
Socialismo
Bolsonaro abriu dizendo que o Brasil "ressurge depois de estar à beira do socialismo". Ele fez duras críticas a Cuba, em especialmente ao programa Mais Médicos — que levou médicos cubanos para trabalhar no Brasil — e também à Venezuela.
"Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições."
Bolsonaro acrescentou que o Brasil está trabalhando com os Estados Unidos para que a "a democracia seja restabelecida na Venezuela, mas também nos empenhamos duramente para que outros países da América do Sul não experimentem esse nefasto regime".
"O Foro de São Paulo, organização criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido".
Economia
Logo depois, Bolsonaro defendeu a abertura da economia. Destacou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, alcançado em seu governo. Prometeu ainda novos acordos "nos próximos meses".
"Não pode haver liberdade política sem que haja também liberdade econômica. E vice-versa. O livre mercado, as concessões e as privatizações já se fazem presentes hoje no Brasil."
Amazônia
Bolsonaro defendeu a soberania do Brasil sobre a Amazônia. Reforçou que a Amazônia não é um "patrimônio da humanidade" e tampouco "o pulmão do mundo".
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram um aumento expressivo no número de incêndios florestais neste ano no Brasil, na comparação com igual período do ano passado.
"Em primeiro lugar, meu governo tem um compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil e do mundo."
"É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo."
Segundo Bolsonaro, "valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrad a nossa soberania".
Também criticou o cacique Raoni Metuktire, do povo caiapó, liderança indígena de destaque internacional.
"A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia."
Criminalidade
O presidente brasileiro destacou a redução da criminalidade que, segundo ele, tem ocorrido em seu governo. "Hoje, o Brasil está mais seguro e ainda mais hospitaleiro", afirmou.
Citou os quase 70 mil homicídios anuais no Brasil, dizendo que os policiais militares "eram o alvo preferencial do crime", sem citar o caso que nesta semana gerou comoção no Brasil da menina Ágatha Félix, de oito anos, que foi atingida por um tiro e morta no Complexo do Alemão, no Rio.
Ideologia
Na parte final de seu discurso, Bolsonaro investiu contra o que chamou de "sistemas ideológicos de pensamento que não buscavam a verdade, mas o poder absoluto" e relacionou isso ao ataque que sofreu durante a campanha, quando foi esfaqueado.
*Com informações BBC News Brasil