Presidente ainda discute com auxiliares se aceita o convite para integrar grupo que pretende definir os rumos de Gaza
Lula ainda avalia se vai aceitar convite de Trump para integrar conselho sobre Gaza (Foto/Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não decidiu se vai aceitar o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o chamado “Conselho de Paz” para a Faixa de Gaza.
O tema foi longamente discutido em reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na última segunda-feira (20/1), no Palácio do Planalto, e deve retornar à pauta em agendas de Lula ao longo desta semana.
Desde o início do governo, Lula vem buscando se colocar à disposição de negociar grandes conflitos internacionais, como os ataques de Israel à Faixa de Gaza e o confronto com o Hamas, ao mesmo tempo em que condena as ações lideradas pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Participar de um conselho criado por Trump e que pode ter a participação de outras lideranças internacionais poderia colocar o Brasil na posição desejada por Lula, de ser ouvido no centro do debate sobre a questão da Palestina, na qual o presidente defende a criação de um Estado palestino. Assim, o petista tentaria, de alguma maneira, influenciar em possíveis decisões tomadas sobre o território.
Por outro lado, diplomatas brasileiros acreditam que ingressar no conselho de Trump seria uma contradição ao discurso do governo brasileiro. Lula e o Itamaraty têm defendido que a solução do conflito precisa passar pela Organização das Nações Unidas (ONU), que perderia ainda mais força caso o novo órgão passasse a exercer, de fato, uma governança sobre Gaza.
O Brasil também teme que, pelo perfil de Trump e da maioria de seus integrantes, o conselho tenha posições predominantes pró-interesses do governo de Israel. Outro fator negativo para o governo brasileiro é a cobrança de uma taxa de US$ 1 bilhão, no primeiro ano, para prorrogar a participação no colegiado.
O presidente argentino, Javier MIlei, aceitou de pronto o convite de Trump para integrar o órgão. "É uma honra ter recebido o convite para que a Argentina integre, como membro fundador, o Conselho da Paz", publicou nas redes sociais. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, recusou, o que pode encorajar Lula a fazer o mesmo.
Entre os chefes de Estado convidados por Trump para o conselho, também estão os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e os primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orban, e do Canadá, Mark Carney.
Na última sexta-feira (16/1), Trump anunciou os primeiros nomes que vão compor o grupo: o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair; os enviados de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff e Jared Kushner; o bilionário americano Marc Rowan; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e Robert Gabriel, assessor de Trump.
Fonte: O Tempo