Houve rumores de que Saud estava em Uberaba e compareceria à delegacia local, mas ele se encontrava no apartamento dele no bairro Morumbi
Foto/Arquivo
O uberabense Ricardo Saud foi o primeiro a chegar na sede da Polícia Federal em São Paulo, onde está preso
Após prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os delatores da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, se apresentaram ontem à sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo e estão presos.
A previsão é que os dois sejam transferidos para Brasília nesta segunda-feira (11). As prisões são temporárias, com prazo de cinco dias, e podem ser revertidas para preventivas.
As ordens de prisão de Joesley e Saud foram encaminhadas para a PF no sábado (9). A polícia afirmou que não cumpriu os mandados de imediato porque estava "em planejamento operacional" quando os dois manifestaram, por meio de advogados, a intenção de se entregar.
Houve rumores de que Saud estava em Uberaba e compareceria à delegacia local, mas ele se encontrava no apartamento dele no bairro Morumbi, Zona Sul da capital paulista. Saud foi o primeiro a chegar na sede da PF. Joesley deixou a casa do pai no Jardim Europa às 13h45, também na Zona Sul, rumo à Polícia Federal. Ambos chegaram à unidade em carros particulares.
Os delatores estão presos desde as 14h de ontem, após o relator da Operação Lava Jato no STF, Edson Fachin, acatar os pedidos de prisão apresentados pela Procuradoria Geral da República. Na decisão, o ministro posicionou que há indícios suficientes de que os delatores omitiram informações ao Ministério Público Federal.
O estopim para as prisões foram áudios em que Joesley e Saud sugerem que o ex-procurador da República, Marcelo Miller, estava ajudando nos acordos de delação.
Em nota, as defesas de Joesley e Saud disseram que "não mentiram nem omitiram informações no processo que levou ao acordo de colaboração premiada e que estão cumprindo o acordo".
Além de Joesley e Saud, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do ex-procurador da República Marcelo Miller. A solicitação foi negada por Fachin, que justificou não serem "consistentes" os indícios de que ele tenha sido "cooptado" por organização criminosa.
Em nota, a defesa de Miller afirma que ele "repudia veementemente o conteúdo fantasioso e ofensivo das menções ao seu nome nas gravações divulgadas na imprensa e reitera que jamais fez jogo duplo ou agiu contra a lei", diz o texto.
Com as prisões, o acordo de delação premiada firmado entre a JBS e a Procuradoria-Geral da República deve ser rescindido. O termo prevê que o acordo perderá efeito se, por exemplo, o colaborador mentiu ou omitiu, se sonegou ou destruiu provas.
Sobre a validade das provas apresentadas, três dos ministros do Supremo entendem que a rescisão do acordo não anula as provas.