Presidente da Comissão de Ética também critica afastamento de assessores e esclarece, após contestação ao vivo, que colegiado ainda não havia realizado reunião formal sobre o caso
A presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Uberaba, Denise Max (PRD), afirmou que não votará pela cassação do vereador Almir Silva (Republicanos) enquanto não houver uma decisão definitiva da Justiça. Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, ela também criticou o afastamento de assessores do gabinete e defendeu que servidores sem envolvimento nos fatos investigados não sejam atingidos pela medida.
Almir foi preso temporariamente na segunda fase da Operação Caça-Fantasmas, que investiga suspeitas de irregularidades relacionadas ao gabinete dele. A Justiça determinou sua soltura em 4 de setembro, mas manteve o afastamento cautelar das funções públicas, inicialmente estabelecido por 90 dias, e as restrições de acesso ao gabinete, a setores administrativos e aos sistemas institucionais.
Embora reconheça que a Câmara precisa analisar o caso, Denise afirmou que sua posição pessoal é aguardar o trânsito em julgado, quando não cabem mais recursos, antes de votar pela perda do mandato. “Eu acho que para eu cassar alguém, meu posicionamento é que tem que estar transitado em julgado”, afirma.
A vereadora disse ainda que não pretende acompanhar uma eventual maioria favorável à cassação antes do encerramento do processo judicial. “Eu não acho justo. Eu não acho que eu voto a cassação enquanto não for transitado em julgado. Se todos forem votar, eu jamais acompanho uma fila”, declara.
Durante a entrevista, Denise afirmou inicialmente que a Comissão de Ética já havia se reunido e decidido pelo encaminhamento do caso à Comissão Processante. A informação foi contestada durante a própria transmissão pelo vereador Diego Rodrigues, integrante do colegiado, que enviou uma mensagem à live afirmando que ainda não havia ocorrido reunião formal para tratar do assunto.
Questionada, Denise esclareceu que houve uma conversa entre os integrantes, mas não uma reunião oficial para deliberar sobre o caso. Diante de nova pergunta sobre a realização do encontro formal, respondeu que “vai acontecer”.
A Comissão de Ética deverá avaliar se os fatos podem configurar quebra de decoro parlamentar e definir os encaminhamentos, entre eles uma eventual sugestão de abertura de Comissão Processante. A posição anunciada por Denise sobre seu voto não representa uma deliberação do colegiado. Antes da entrevista, a comissão aguardava o recebimento dos documentos encaminhados à Câmara para iniciar a análise.
Denise também afirmou que ainda não teve acesso a todas as informações da investigação. “Eu não vou aqui defender ninguém, porque eu não sei nem o que aconteceu, não estava lá. Eu ouço cada coisa, todo mundo está ouvindo, mas ninguém sabe realmente o que está acontecendo”, disse.
A Operação Caça-Fantasmas chegou à Câmara em julho de 2025. Em uma das denúncias apresentadas pelo Ministério Público, Almir e outros investigados foram acusados de participação em um suposto esquema envolvendo servidores que receberiam salários sem a correspondente prestação dos serviços.
Na mesma entrevista, Denise questionou o alcance do afastamento determinado pela Justiça para os servidores do gabinete de Almir. Seis assessores foram retirados das funções por um prazo inicial de 90 dias, com manutenção dos salários e proibição de acesso ao gabinete, a outros setores da Câmara e aos sistemas do Legislativo.
Entre os afastados estão a nora do vereador, dois ex-candidatos à Câmara e uma servidora que já havia trabalhado em outro gabinete. A portaria que formalizou os afastamentos não descreve as condutas atribuídas individualmente aos assessores.
“Eu falei, não concordo. Quem não está arrolado ao processo, fica aí. A partir do momento que você afasta todos, você jogou todo mundo no balaio”, afirma Denise. Para a vereadora, a situação de cada assessor deveria ser analisada individualmente, evitando que funcionários sejam atingidos apenas por trabalharem no gabinete investigado.
A crítica expressa a avaliação da parlamentar. Como a investigação dessa etapa tramita sob sigilo, não foram divulgadas as suspeitas específicas relacionadas a cada um dos seis servidores, o que impede concluir, a partir das informações públicas, que algum deles tenha sido afastado sem relação com os fatos apurados.
Os afastamentos são medidas cautelares destinadas a preservar a investigação e não representam, por si só, condenação ou comprovação de responsabilidade dos servidores.