O vazamento de informações sigilosas envolvendo testemunhas arroladas no processo não prejudica o trabalho da comissão
O vereador Luiz Humberto Dutra (PDT), presidente da Comissão Processante que investiga denúncias contra o vereador Jorge Ferreira (PMN), disse ontem que o vazamento de informações sigilosas envolvendo testemunhas arroladas no processo não prejudica o trabalho da comissão.
O vereador, que desde o início do processo ressalta a importância de manter a transparência do trabalho sem expor os envolvidos, não acredita que este comprometimento seja pactuado por todos. “Cada um tem sua conotação e maneira de expressar e eu respeito. Existe um amplo direito de defesa e nós só estamos cumprindo o nosso papel, buscando provas para as denúncias feitas”, salientou o vereador, deixando claro que todos têm direito de se manifestar. “As informações estão saindo de dentro do grupo”, disse ele, referindo-se a detalhes de alguns depoimentos divulgados pela imprensa. Dutra revelou que só não pode deixar que estas informações atrapalhem o andamento do processo.
O presidente da comissão informou ainda que existe muita especulação em torno do que está sendo colhido nas oitivas. “Há verdades e há mentiras e elas aparecerão em momento oportuno”, ressaltou o vereador.
Nos bastidores da Câmara de Vereadores, boatos dão conta que a testemunha de defesa ouvida pela comissão na última segunda-feira (11) é amiga íntima de um assessor do deputado Aelton Freitas (PR) – que apoia o PMN –, cuja esposa faz parte da equipe de gabinete do vereador Jorge Ferreira na função de assessora jurídica.
O advogado de uma das testemunhas de acusação, Daniel Santiago, disse que não tem acompanhado os depoimentos das testemunhas de defesa e referidas porque, segundo ele, esta fase não fará diferença. “A comissão tem um trabalho técnico e sabe o que está fazendo”, frisou o advogado. “Estou tranquilo, porque as testemunhas de acusação que completam a reclamação de sua cliente falaram a verdade, inclusive o Ministério Público já acionou a Justiça oferecendo denúncia contra o denunciado. A verdade está sendo dita”, acrescentou.
Para ele, qualquer modificação que surja a partir de agora não tira o foco. “Não está combatendo que o vereador infelizmente parece ter participado de procedimento ilegal, processualmente falando estou tranquilo”, disse ainda o advogado. Daniel Santiago disse também que ventilam um complô contra o vereador acusado que, se for comprovado, tem que processar o articulador, mas salientou que não se pode esquecer que, não em muitos depoimentos das testemunhas de defesa, não estão negando os atos possivelmente praticados por ele.