Eduardo Cunha reagiu às acusações, classificando a investigação como “perseguição política”. Em entrevista à Rádio Maravilha, de Belo Horizonte, ele negou ter desviado recursos ou se beneficiado das emendas.
Segundo o ex-deputado, sua participação limitou-se a sugerir ao Republicanos que recursos fossem destinados a municípios mineiros, cabendo a decisão final ao líder da bancada na Câmara, deputado federal Gilberto Abramo (Republicanos-MG). Cunha afirmou ainda que o dinheiro foi efetivamente encaminhado às prefeituras para atender às demandas locais e que não houve apropriação dos recursos.
O ex-presidente da Câmara também criticou a atuação da Polícia Federal, afirmando que a investigação busca criminalizar a articulação política e atribuiu o caso a uma perseguição por sua condição de opositor político. As investigações, no entanto, seguem em andamento no STF e ainda não há decisão definitiva sobre o mérito das acusações.
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou R$6,1 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos) e suspendeu a execução de emendas parlamentares sob investigação, continua repercutindo em Minas Gerais. O caso envolve recursos destinados a municípios mineiros entre outubro e dezembro de 2025 e faz parte de investigação conduzida pela Polícia Federal.
De acordo com a decisão, ao menos 29 emendas parlamentares, que somam R$6,15 milhões, teriam sido direcionadas por Cunha, mesmo sem exercer mandato. Segundo o ministro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados influenciava a definição dos valores e das cidades beneficiadas com recursos da Comissão de Saúde da Câmara, mantendo um “arranjo decisório paralelo” para a distribuição das verbas.
Na decisão, assinada em 6 de julho e divulgada no domingo (12), Flávio Dino destaca que Cunha nunca exerceu mandato por Minas Gerais, apesar de atuar na destinação de recursos para municípios do estado.
A decisão também aponta indícios de que 21 emendas já empenhadas e pagas teriam sido registradas em nome de outros parlamentares para ocultar o verdadeiro responsável pelas indicações.
O caso também chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU). O subprocurador-geral do Ministério Público no TCU, Lucas Rocha Furtado, protocolou representação pedindo a abertura de investigação sobre possível desvio de emendas parlamentares.
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