Uberaba alcançou a 11ª colocação no Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, que avalia os 100 municípios mais populosos do país. O levantamento, baseado em dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), do Ministério das Cidades, revela avanços pontuais, mas também expõe desafios estruturais no setor.
Apesar do bom desempenho, foi registrada queda de Uberaba no ranking, uma vez que, no ano passado, o município ocupou a nona posição. No levantamento atual, somente Uberaba e Montes Claros foram as cidades de Minas a figurar entre as 20 melhores do país.
Conforme o levantamento, no município, o indicador de atendimento total de água é de 99,65%; já o de atendimento total de esgoto é de 99,11%; o indicador de tratamento de esgoto é 93%; o investimento total de 2020 a 2024 foi de R$113,46 milhões; o investimento médio per capita, de R$64,08 (por habitante); o indicador de perdas na distribuição foi de 32,52%, e o indicador de perdas por ligação foi de 261,6 l/dia.
O estudo mostra que mais da metade das cidades analisadas investe menos de R$100 por habitante em saneamento, valor considerado insuficiente para alcançar a universalização dos serviços até 2033, conforme metas do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). Entre os municípios com pior desempenho, o investimento médio foi de R$77,58 por habitante entre 2020 e 2024 — cerca de 66% abaixo do necessário.
No topo do ranking estão Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos, cidades que já atingiram a universalização do saneamento. Na outra ponta aparecem Santarém, Porto Velho, Rio Branco, Várzea Grande e Parauapebas, com os piores indicadores.
A desigualdade entre os municípios é expressiva. Enquanto os 20 melhores apresentam índice médio de 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores registram apenas 28,06%. No tratamento, a diferença também é significativa: 77,97% contra 28,36%. Esses números evidenciam um cenário de forte disparidade no acesso aos serviços básicos.
O levantamento aponta ainda que o município com maior investimento per capita em 2024 foi Praia Grande, com R$572,87 por habitante, enquanto Rio Branco apresentou o menor nível, com apenas R$8,99.
De acordo com o Instituto Trata Brasil, mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável e cerca de 90 milhões — o equivalente a 43,3% da população — não contam com coleta de esgoto. A falta de saneamento impacta diretamente a saúde pública, a produtividade, o turismo e a valorização imobiliária, além de comprometer o desenvolvimento socioeconômico.
O ranking considera três dimensões principais: nível de atendimento, melhoria do atendimento e eficiência dos serviços.