Concessionária diz que não detalhará relação por cláusulas de confidencialidade, mas afirma que adotará medidas para dissolver o contrato e contratar outra empresa
Imbróglio envolvendo a construção de passarelas no trecho urbano a BR-050 ganha novo capítulo. A empresa contratada, KL Construções Metálicas e Civis Ltda nega abandono de obra e contesta a versão apresentada pela Ecovias Minas Goiás, concessionária que administra a rodovia. Em nota enviada ao Jornal da Manhã, a KL atribui a paralisação a atrasos e entraves ao longo do contrato, enquanto a Ecovias afirma que adotará medidas contratuais para formalizar a dissolução do vínculo e contratar outra empresa para retomar o serviço.
A KL sustenta que, desde o início do contrato, manteve comunicação “contínua e formal” com a concessionária e registrou reiteradamente riscos e restrições que, segundo a empresa, condicionavam o avanço das frentes de serviço. No posicionamento divulgado, a contratada aponta “atrasos relevantes” na aprovação de projetos executivos, liberações tardias e ajustes determinados pela própria Ecovias, o que teria inviabilizado o cumprimento dos prazos estabelecidos.
Ainda conforme a nota enviada ao JM, os atrasos impactaram diretamente o cronograma físico-financeiro da obra e levaram a um “cenário de insolvência contratual”, situação que a KL afirma ter sido reconhecida pela concessionária. A empresa afirma, também, que buscou alternativas com fundos de investimento para viabilizar soluções, mas diz que a proposta foi rejeitada pela Ecovias.
Diante do posicionamento, o JM buscou novos esclarecimentos com a Ecovias. Também em nota, a concessionária pontua que cláusulas gerais e disposições de confidencialidade do contrato vedam a divulgação de informações e detalhes contratuais. Por isso, afirma que não entrará em detalhes sobre a relação mantida entre as partes.
Apesar disso, a Ecovias reforçou que temas relacionados à execução contratual, como prazos, marcos técnicos, aprovações e responsabilidades, são tratados e registrados nos procedimentos formais previstos em contrato. A concessionária ainda afirmou que adotará todas as medidas contratuais cabíveis para a adequada resolução da situação e para a formal dissolução do contrato, e declarou que não admite o descumprimento de obrigações, a divulgação de informações inverídicas ou a desmobilização antes do término dos serviços.
A Ecovias também informou que já providencia a contratação de outra empresa para retomar as obras “o quanto antes”, citando a importância das intervenções para a população e o compromisso com a segurança viária e com as obrigações perante os usuários da BR-050.
As passarelas em implantação ficam nos km 171, próximo ao bairro Alfredo Freire, e 175, em frente à loja Havan, no trecho urbano de Uberaba. O cronograma foi apresentado em audiência pública na Câmara Municipal e previa entrega das estruturas em outubro de 2025. Depois, o prazo foi adiado para dezembro e reprogramado para março de 2026. Nesta semana, moradores relataram paralisação e desmontagem do canteiro, o que motivou o primeiro posicionamento público da concessionária sobre a desmobilização da empresa contratada.
Entenda o caso
As duas passarelas previstas para o trecho urbano da BR-050, em Uberaba, serão instaladas nos km 171, próximo ao bairro Alfredo Freire, e km 175, em frente à loja Havan. O cronograma foi apresentado em audiência pública na Câmara Municipal, com participação da ANTT e da concessionária Ecovias Minas Goiás, e apontava entrega das estruturas em outubro de 2025.
Como as passarelas não estavam no contrato original, a localização passou por ajustes e foi realocada após solicitação da concessionária, com autorização da ANTT em aditivo contratual publicado no Diário Oficial da União em 19 de agosto. Depois, a Ecovias informou que o prazo seria adiado para dezembro de 2025 e, mais tarde, reprogramado novamente para março de 2026, alegando ajustes no processo de produção das estruturas.
A concessionária também afirmou que o projeto foi mantido, com estrutura metálica, iluminação, câmeras de monitoramento e rampas de acessibilidade.