A entrada de Uberaba no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Paranaíba (Cisalp) teria contribuído para gerar problemas na composição do órgão, segundo o ex-presidente Fernando Breno Valadares Vieira. A declaração foi dada em depoimento à CPI da Saúde da Câmara Municipal de Patos de Minas, que investiga possíveis irregularidades em contratos e serviços intermediados pelo consórcio.
Segundo Vieira, a adesão de Uberaba alterou a relação de forças dentro do Cisalp, que até então tinha Patos de Minas como município de maior peso. Uberaba ingressou no consórcio em maio de 2025, após autorização da Câmara Municipal.
O Cisalp reúne atualmente 40 municípios do Alto Paranaíba, Noroeste de Minas e Triângulo Sul e atua principalmente no atendimento de demandas de média complexidade e na aplicação de recursos destinados à saúde.
Durante o depoimento, o ex-presidente afirmou ainda que a atuação do consórcio nos contratos se restringia às transações financeiras referentes aos atendimentos comprovadamente realizados. Também relatou conflitos e tentativas de interferência na administração do órgão por parte da antiga secretária de Saúde de Patos de Minas.
Quando Uberaba aderiu ao Cisalp, a contribuição fixa prevista era de R$0,44 por habitante ao mês. Considerando os 337.836 habitantes do Censo 2022 do IBGE, o valor mensal seria de aproximadamente R$148,6 mil. Com a projeção mais recente, de cerca de 360 mil habitantes, chegaria a R$158,4 mil.
Pelo tamanho da população e pelo volume de recursos envolvidos, a entrada de Uberaba representou mudança significativa na composição do consórcio. As declarações de Vieira integram os depoimentos colhidos pela CPI, que ainda deverá concluir as apurações sobre os contratos e a atuação do Cisalp.