O ex-líder do Novo em Uberaba, Richard Maciel, está entre os signatários de uma carta enviada à direção nacional do partido com pedido de mudanças no comando estadual em Minas Gerais. O documento, assinado por 21 lideranças municipais nos dias 8 e 9 de outubro, reivindica a reestruturação do diretório mineiro e a entrega da direção a lideranças consideradas independentes.
Encaminhada ao presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, a manifestação atribui à atual direção estadual, presidida por Christopher Laguna, a responsabilidade pelo enfraquecimento da legenda em Minas e pela saída de quadros políticos. Entre os exemplos citados está o governador Mateus Simões, que deixou o partido e se filiou ao PSD para disputar as eleições de 2026.
Segundo os signatários, a direção estadual teria subordinado as decisões partidárias ao projeto eleitoral de Simões. O grupo também critica a condução das articulações para a formação das chapas e afirma que lideranças municipais não foram informadas previamente sobre decisões importantes.
A carta aponta a queda da votação do Novo para deputado federal em Minas Gerais, de 461.859 votos em 2018 para 71.867 em 2026, como um dos sinais de perda de força política. O documento também questiona a estratégia adotada nas eleições de 2022 e 2024 e a falta de planejamento para ampliar a presença da legenda nos municípios.
Em Uberaba, os signatários afirmam que o partido teria sido obrigado a se coligar com a então prefeita, apesar da oposição de integrantes da base local. A crítica é apresentada como exemplo da falta de autonomia dos diretórios municipais diante das decisões estaduais.
Além da reformulação do comando, o grupo pede maior representação do interior na direção mineira, liberdade para as decisões municipais e preparação antecipada de candidaturas próprias para as próximas eleições.
Ao Portal de notícias O Fator, de Belo Horizonte, Christopher Laguna afirmou que não recebeu oficialmente a carta e ressaltou que o documento foi dirigido à presidência nacional. Ele também questionou a representatividade do movimento, considerando o número de assinaturas diante da presença do partido em cerca de 300 municípios.
Laguna declarou que a manifestação faz parte da democracia interna e defendeu os resultados da legenda em Minas. Segundo ele, o partido reúne 95 vereadores, sete prefeitos, 11 vice-prefeitos e dois deputados estaduais no Estado, além de destacar a contribuição mineira para que o Novo superasse a cláusula de barreira.