CASO BANCO MASTER

Flávio Bolsonaro diz não saber sobre contrato de R$ 427 milhões ligado a Nunes Marques e Vorcaro

Candidato à Presidência foi questionado durante comício em Natal sobre documento obtido pela PF; contrato previa pagamento condicionado a resultados em processos envolvendo precatórios

Publicado em 22/09/2026 às 08:57
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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou não saber detalhes sobre um contrato de R$ 427 milhões envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um escritório de advocacia relacionado ao desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e à advogada Camilla Ramos. O documento foi obtido pela Polícia Federal (PF) durante as investigações sobre o Banco Master.

Questionado sobre o caso durante um comício em Natal (RN), Flávio disse que não tinha informações suficientes para comentar.

“Eu não sei se a história é essa. Eu não tenho condições de falar do que eu não sei o que é. Eu não sei do assunto”, afirmou.

Contrato de R$ 427 milhões

Segundo informações divulgadas a partir de documentos obtidos pela PF, o contrato foi firmado entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório da advogada Camilla Ramos.

O acordo previa honorários de 5% sobre o valor líquido obtido pelo banco caso houvesse vitória em 12 processos relacionados a precatórios. Se os processos fossem favoráveis ao Master, o pagamento poderia chegar a R$ 427 milhões.

O contrato é associado, na documentação e nas mensagens analisadas pela PF, ao chamado grupo “turma do KN”. A sigla faz referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Reportagens sobre o caso também apontam mensagens nas quais o desembargador Newton Ramos teria repassado a Vorcaro pedidos atribuídos a Nunes Marques. Entre eles estaria uma solicitação relacionada à hospedagem do ministro em um hotel em São Paulo.

A existência do contrato ou das mensagens, contudo, não significa, por si só, que o ministro tenha participado do acordo ou cometido irregularidade.

Nunes Marques nega vínculo

Nunes Marques foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2020.

Em manifestação anterior sobre o caso Master, o ministro afirmou não ter julgado processos relacionados ao banco e negou que seu filho, o advogado Kevin Nunes Marques, tenha prestado serviços ou recebido pagamentos do Banco Master.

O ministro também declarou impedimento para participar do julgamento no STF relacionado à abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes, alegando que a decisão poderia ter impacto sobre a eleição presidencial, já que ocupa a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Críticas a Moraes

A declaração de Flávio Bolsonaro ocorre em meio às críticas que o candidato vem fazendo ao ministro Alexandre de Moraes por causa de informações envolvendo o magistrado e Daniel Vorcaro.

Nos últimos dias, Flávio compartilhou imagens de Moraes e da esposa dele, Viviane Barci de Moraes, deixando um avião operado por uma empresa ligada ao ex-banqueiro.

O escritório Barci de Moraes afirma que contratou serviços de táxi-aéreo da empresa em determinadas ocasiões. Documentos divulgados pelo STF também mostram contratos entre o escritório e empresas ligadas a Vorcaro, com previsão de serviços jurídicos e consultoria. O escritório afirma que manteve apenas uma contratação com o Banco Master e que uma proposta posterior não chegou a ser assinada.

Segurança pública

Durante o comício em Natal, Flávio Bolsonaro também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na área de segurança pública.

O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende classificar o PCC, o Comando Vermelho e milícias como “narco-terroristas”. Também defendeu o aumento de penas para furtos de celulares e a castração química para condenados por estupro.

Na área internacional, Flávio afirmou que pretende manter uma relação considerada por ele “pragmática” com diferentes países, citando Estados Unidos, China, Israel, nações do Oriente Médio, Argentina e Paraguai.

A declaração sobre o contrato ocorreu durante a campanha presidencial de 2026. O primeiro turno da eleição está marcado para 4 de outubro.

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